A empresa australiana Syrah Resources anunciou que a fabricante norte-americana de veículos eléctricos Tesla retirou a intenção de rescindir o acordo de fornecimento de materiais de grafite para baterias, após reconhecer que a mineradora passou a produzir amostras em conformidade com os padrões de qualidade exigidos, informou esta segunda-feira, 1 de Junho, o portal de notícias Engeneering News.
A decisão representa um alívio para a Syrah, que opera a mina de grafite de Balama, na província de Cabo Delgado, considerada a maior exploração integrada de grafite natural do mundo.
Na sequência do anúncio, as acções da empresa registaram uma forte valorização na Bolsa de Valores da Austrália, chegando a subir mais de 41%, no melhor desempenho diário desde Outubro de 2023.
O diferendo entre as duas empresas remonta a Julho de 2025, quando a Tesla notificou a Syrah sobre alegadas falhas de conformidade nas amostras de material anódico activo (AAM) produzidas na unidade de Vidalia, no estado norte-americano da Louisiana. A instalação é actualmente a única produtora integrada de materiais anódicos para baterias em larga escala fora da China.
Num comunicado divulgado ao mercado, a Syrah informou que a Tesla reconheceu os progressos alcançados e aceitou que a empresa está agora a produzir amostras compatíveis com as especificações técnicas acordadas.
Apesar do recuo, a fabricante de veículos eléctricos mantém o direito contratual de rescindir o acordo caso a unidade de Vidalia não obtenha a qualificação final exigida para o fornecimento comercial.
Ao abrigo do contrato assinado em 2021, a Syrah comprometeu-se a fornecer cerca de oito mil toneladas de materiais anódicos à Tesla ao longo de quatro anos, numa parceria considerada estratégica para diversificar a cadeia global de fornecimento de minerais críticos para baterias.
Analistas do mercado consideram que o anúncio reduz a pressão sobre a empresa australiana, embora persistam riscos relacionados com a obtenção da certificação final dos produtos. A Syrah e a Tesla tinham acordado, em Março deste ano, uma quarta extensão do prazo para resolver o diferendo, fixando dia 1 de Junho como data-limite para a avaliação dos progressos alcançados.
Para Moçambique, o desenvolvimento é acompanhado com atenção, uma vez que a mina de Balama continua a ser um dos mais importantes projectos mineiros do País e um activo estratégico na crescente procura mundial por minerais essenciais à transição energética.





















































