O economista-chefe do Millennium bim, Oldemiro Belchior, defendeu esta terça-feira (2) a necessidade de as empresas moçambicanas se reinventarem para responder aos desafios económicos, financeiros e tecnológicos que marcam o actual ambiente de negócios, considerando que a adaptação e a capacidade de antecipar mudanças serão determinantes para a sustentabilidade empresarial.
As declarações foram feitas durante o painel “Da Estratégia à Acção: Como Líderes Transformam Ecossistemas em Oportunidades de Negócio”, integrado na 3.ª edição do Coffee Break Liderança B2B.
Na sua intervenção, Belchior sublinhou que as empresas não actuam de forma isolada e que o seu desempenho está directamente ligado à evolução da economia e à qualidade do ambiente de negócios.
“As empresas não operam num ambiente isolado. Elas dependem muito do ambiente externo em que estão envolvidas. Quando se fala do ambiente externo, temos sempre de avaliar como está o pulsar da nossa economia e do ambiente de negócios”, afirmou. Apesar dos constrangimentos que afectam a actividade económica, o economista-chefe do Millennium bim considera que Moçambique vive uma fase de desafios que deve ser encarada como uma oportunidade para transformação.
“Moçambique não está a atravessar um momento difícil. Eu acho que estamos num momento desafiante. Quando carregamos a palavra ‘difícil’, já estamos a criar um bloqueio para o nosso crescimento e desenvolvimento”, observou. Segundo Belchior, a conjuntura actual exige respostas rápidas e medidas ousadas para que empresas e empreendedores consigam ultrapassar os obstáculos existentes.
“Há vários desafios que enfrentamos no presente e que exigem medidas muito arrojadas e imediatas para podermos ultrapassar com sucesso esta fase”, defendeu. O responsável destacou ainda que a transformação tecnológica em curso está a alterar profundamente a forma como os negócios são conduzidos, apontando a inteligência artificial como um dos principais factores de mudança.
“Os desafios económicos, financeiros e sociais não estão apenas a acontecer em Moçambique, mas um pouco por todo o mundo. Temos visto como a inteligência artificial tem vindo a mudar a forma como as empresas desempenham as suas actividades e os seus negócios”, afirmou.
Neste contexto, considerou fundamental que as organizações desenvolvam capacidade de adaptação e inovação. “É fundamental as empresas terem capacidade de se reinventarem, porque os tempos mudaram e estamos num processo de transformação”, disse. Belchior alertou igualmente para a aceleração dos ciclos económicos e empresariais, defendendo uma revisão da forma como as organizações planeiam o futuro. “Hoje em dia, curto prazo já não são dois anos. Curto prazo são três a seis meses. Médio prazo já não são dois ou três anos. Médio prazo é um ano. Precisamos de mudar este paradigma”, explicou.

Na sua análise, uma das principais limitações ao crescimento empresarial continua a ser a ausência de uma combinação equilibrada entre visão estratégica, ambição e capacidade de execução. “Falta, na minha opinião, visão estratégica, ambição e acção”, declarou.
O economista argumentou que muitos empresários possuem uma compreensão clara dos mercados onde actuam, mas nem sempre conseguem transformar esse conhecimento em resultados concretos.
“Não basta só ter visão. Muitos empreendedores e empresários têm uma visão muito ampla e holística do sector ou da actividade que estão a desenvolver ou pretendem desenvolver, mas falta um importante impulsionador que vai mover o projecto para os resultados. Esse impulsionador é a ambição”, sustentou.
Segundo Belchior, a ambição deve ser entendida como um elemento essencial para o crescimento dos negócios, desde que acompanhada por uma estratégia clara e por capacidade de implementação. “Quando junto uma visão, que é o meu olhar de longo alcance, à minha ambição de chegar a um patamar mais além e movo a minha acção para que isso aconteça, consigo criar um projecto rentável, sustentável e que gera valor”, afirmou.
Para o economista-chefe do Millennium bim, é precisamente a conjugação destes três factores que permitirá às empresas evoluírem para níveis superiores de competitividade e sustentabilidade. “Penso que a combinação destas três valências é o que está a faltar para que as empresas e empreendedores que pretendem alcançar sucesso possam transitar para um nível superior”, concluiu.
O painel “Da Estratégia à Acção: Como Líderes Transformam Ecossistemas em Oportunidades de Negócio” contou igualmente com as participações de Sandra Cuiamba, consultora em Gestão de Projectos, e Alves Lampeão Júnior, CEO da GASEPCS. Integrado na 3.ª edição do Coffee Break Liderança B2B, o debate reuniu empresários, gestores, empreendedores, consultores e representantes de instituições públicas e privadas para reflectir sobre os desafios da liderança empresarial, da inovação e da criação de oportunidades de negócio num contexto económico em rápida transformação. O encontro procurou destacar o papel dos líderes na construção de ecossistemas empresariais mais resilientes, inclusivos e preparados para responder às exigências do futuro.
Texto: Felisberto Ruco























































