A administradora-executiva do Millennium bim, Liliane Catoja, defendeu esta terça-feira (2) a criação de parcerias mais robustas entre grandes empresas e pequenas e médias empresas (PME) como forma de fortalecer o conteúdo local, reduzir a elevada taxa de mortalidade empresarial e promover um crescimento económico mais inclusivo em Moçambique.
A responsável falava durante a 3.ª edição do Coffee Break Liderança B2B, realizada sob o tema “CEOs, Arquitectos do Futuro”, onde destacou que um dos principais desafios do tecido empresarial nacional continua a ser a curta duração dos pequenos negócios.
“Temos muitas pequenas e médias empresas, mas a taxa de sucesso é muito baixa e a taxa de mortalidade é muito alta. A duração destes negócios anda sempre em torno dos três ou quatro anos e os empreendedores vão saltando de ideia em ideia até encontrarem aquela que lhes permite evoluir”, afirmou.
Segundo Liliane Catoja, a sobrevivência e o crescimento das PME dependem cada vez mais da capacidade de estabelecer relações de cooperação com empresas já consolidadas no mercado, que disponham de experiência, capacidade financeira e acesso a mercados. “Vai depender sempre de encontrarmos parcerias entre aquelas empresas que já estão sólidas, que já têm experiência de negócio e capacidade financeira para poderem contratar ou subcontratar serviços destas pequenas e médias empresas, no sentido de potenciar o negócio interno”, explicou.
A administradora do Millennium bim considerou que a promoção do conteúdo local não deve limitar-se ao cumprimento de políticas ou regulamentos, mas resultar de uma decisão estratégica assumida pelas lideranças empresariais. “Tem de haver uma intenção clara. Não pode ser apenas uma política. Tem de partir da própria liderança da empresa. Qual é o contributo que quero deixar para esta região? Qual é a marca que quero deixar à minha volta?”, questionou.
Como exemplo, referiu os grandes projectos de investimento que se instalam em diferentes províncias do País e que necessitam de uma vasta rede de fornecedores de bens e serviços. “Quando uma grande empresa se instala, precisa de vários serviços. Muitas vezes a primeira opção é contratar quem já conhece, quem já tem experiência. Mas acaba por deixar de fora aquilo que tantas vezes defendemos, que é o conteúdo local”, observou.
Para ultrapassar esta realidade, Liliane Catoja defendeu que as grandes empresas devem assumir um papel activo no desenvolvimento dos seus fornecedores locais, ajudando-os a obter financiamento e a ganhar capacidade operacional. “Quando se aproxima de uma instituição financeira, a grande empresa pode fazer a ponte para o seu fornecedor, garantindo que vai pagar as facturas. O banco financia o fornecedor e fecha-se o circuito. Isto já funcionou e deve continuar a ser promovido”, afirmou.

A responsável destacou ainda que mecanismos deste tipo permitem reduzir o risco para as instituições financeiras e criar oportunidades para que pequenas empresas consigam crescer de forma gradual e sustentável. “É este tipo de parcerias que vai permitir puxar este nicho de empresas para crescerem aos poucos, especializarem-se, documentarem-se e evoluírem”, sublinhou.
Durante a sua intervenção, Liliane Catoja recordou a experiência acumulada ao longo dos anos na área de crédito bancário, defendendo que a banca tem vindo a adaptar os seus modelos de avaliação para responder melhor às necessidades dos pequenos negócios. “O Millennium bim é um banco universal e atende todos os segmentos. Muitas vezes utilizamos o comportamento dos fluxos financeiros destes pequenos negócios para avaliar o seu perfil de risco e determinar o potencial de financiamento”, explicou.
Segundo a gestora, existem actualmente modelos de análise que permitem às instituições financeiras avaliar a capacidade de pagamento dos clientes com base no histórico das suas movimentações financeiras, mesmo quando estes operam em sectores de menor dimensão. “Já existem modelos financeiros que permitem identificar o perfil de risco do cliente e determinar qual é o financiamento adequado para cada situação”, referiu.
Ainda assim, defendeu que o acesso ao crédito, por si só, não é suficiente para garantir o crescimento das PME, sendo necessário que as grandes empresas contribuam para a capacitação dos seus fornecedores locais. “Como empresa, tenho de perceber se as necessidades que tenho não podem ser satisfeitas por fornecedores locais. O que posso fazer para os capacitar, para ganharem qualidade, escala e crescerem dentro daquilo que estou a construir?”, questionou.
Para Liliane Catoja, o futuro da classe empresarial moçambicana passa pela criação de ecossistemas de negócios mais integrados, nos quais grandes empresas, instituições financeiras e PME actuem de forma complementar para gerar valor, emprego e desenvolvimento económico sustentável.
A intervenção ocorreu durante o painel “CEOs, Arquitectos do Futuro”, que reuniu Liliane Catoja, administradora executiva do Millennium bim, Karina Jamal, directora-geral da Komo Box Lda, e Alexandre Cazula, consultor em Contabilidade e Fiscalidade. O debate integrou a 3.ª edição do Coffee Break Liderança B2B, evento que reuniu empresários, gestores, consultores, académicos e representantes de instituições públicas e privadas para discutir o papel da liderança na construção de ecossistemas empresariais mais resilientes, inclusivos e preparados para os desafios do futuro.
Texto: Felisberto Ruco























































