O Tribunal Judicial de Cabo Delgado vai voltar a tentar vender, este mês, dezenas de activos da antiga Plexus, empresa que foi uma das principais operadoras na exploração de algodão em Moçambique. A expectativa é de arrecadar mais de 7 milhões de euros com as vendas.
Em causa está o processo de insolvência da Plexus, anteriormente detida pelo grupo britânico Plexus Cotton Ltd, cuja actividade foi interrompida em 2022. O encerramento deixou milhares de produtores de algodão em Cabo Delgado sem capacidade de escoar o produto, além de avultadas dívidas que, segundo o plano de recuperação divulgado em 2023, ascendem a 6,9 milhões de euros.
No âmbito deste processo, o Tribunal Judicial de Cabo Delgado publicou um edital referente à venda de dez conjuntos de edifícios pertencentes à antiga empresa. Estes activos estão avaliados em 3,3 milhões de euros, e a abertura das propostas está marcada para 15 de Junho.
Segundo o mesmo edital, estes bens serão colocados em praça “pela segunda vez por meio de propostas em carta fechada à metade do valor da primeira praça”, numa referência à tentativa de venda falhada em Agosto de 2025. Este procedimento insere-se no processo de recuperação de activos da empresa em insolvência.
Num outro edital, publicado na mesma data e com igual prazo para apresentação e abertura de propostas, o tribunal coloca igualmente à venda 59 outros activos da antiga Plexus, viaturas e edifícios, avaliados no total em 3,8 milhões de euros, integrando também o processo de alienação judicial.
Na altura do encerramento, o grupo britânico justificou a suspensão das operações com os prejuízos provocados por sucessivos ciclones que afectaram a região, bem como pelo impacto da violência armada em Cabo Delgado, factores que contribuíram para a deterioração do desempenho financeiro desde 2016, culminando no encerramento em 2022.
Estima-se que cerca de 200 trabalhadores tenham ficado com salários em atraso, enquanto aproximadamente 50 mil produtores de algodão em Cabo Delgado enfrentam dificuldades para escoar a matéria-prima desde esse ano. Até então, estes produtores entregavam o algodão à Plexus, que assegurava a sua comercialização.
Em 2023, foi anunciado um acordo com a empresa portuguesa Felpinter Comércio e Indústria, que passaria a assumir a gestão do negócio local de algodão. O acordo previa a gestão de duas unidades de processamento, com capacidade para 45 mil toneladas por ano, com o objectivo de garantir a continuidade da actividade no sector.
Ainda nesse mesmo ano, o Tribunal Judicial de Cabo Delgado revelou que 95% das dívidas conhecidas da Plexus foram contraídas junto de quatro bancos: o Moza Banco, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), o Access Bank e o Société Générale, que figuram como principais credores no processo de insolvência.





















































