Centenas de pessoas saíram às ruas da cidade queniana de Nanyuki, no centro do país, nesta segunda-feira (1), para protestar contra os planos dos Estados Unidos da América (EUA) de instalar uma unidade de quarentena para o ébola numa base militar local, relataram residentes à Reuters. A manifestação ocorreu poucos dias depois de o Tribunal Superior do Quénia ter ordenado a suspensão temporária do projecto.
A decisão foi tomada na sexta-feira (29), após a apresentação de uma acção judicial que argumenta que a instalação poderá representar um risco para a saúde pública.
Responsáveis norte-americanos afirmaram que a unidade, com capacidade para 50 camas e localizada numa base da força aérea no condado de Laikipia, destina-se a cidadãos dos EUA que tenham sido expostos ao vírus, mas que ainda não apresentem sintomas. O Governo queniano confirmou igualmente os planos, com o ministro da Saúde, Aden Duale, a declarar, no sábado, que a iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para reforçar os sistemas de resposta a emergências sanitárias.
Segundo as autoridades norte-americanas, a instalação deveria ter entrado em funcionamento na passada sexta-feira. No entanto, apesar da ordem judicial, vários aviões militares foram vistos a entrar e sair de Nanyuki nos últimos dias, num movimento que diplomatas e especialistas consideram fazer parte dos preparativos em curso para a activação da unidade.
Um jornalista da Reuters observou, no sábado, um reforço da presença policial e militar nas estradas que dão acesso à base aérea.
Imagens obtidas pela agência nesta segunda-feira mostram um grupo de cerca de 100 manifestantes reunidos a aproximadamente quatro quilómetros do local previsto para a instalação. Os participantes faziam soar apitos, alguns deslocavam-se em carrinhas de caixa aberta e era visível fumo proveniente de objectos em chamas na estrada. Moradores locais estimam que o número total de manifestantes tenha atingido várias centenas.
As televisões NTV Kenya e Citizen Kenya divulgaram imagens de pessoas concentradas junto ao muro exterior da base aérea, onde se encontrava um tanque militar e alguns soldados de guarda.
Patrick Wahome, um dos organizadores do protesto, afirmou à Reuters que os manifestantes exigem o encerramento definitivo da instalação até 9 de Junho. “Nanyuki é uma cidade muito pequena. Os militares que servem nesta base vivem connosco. Os nossos filhos frequentam as mesmas escolas. Isso significa que, se alguém for infectado, todos nós estaremos em risco”, afirmou, acrescentando que “estamos a protestar pelas nossas vidas.”
A decisão judicial foi tomada na sexta-feira (29), após a apresentação de uma acção judicial que argumenta que a instalação poderá representar um risco para a saúde pública
O proprietário de um café local, Patrick Maina, disse ter sido obrigado a encerrar o seu estabelecimento devido aos protestos e classificou a situação como “muito grave”. “Não abrimos desde que amanheceu e é provável que amanhã seja ainda pior”, declarou.
De acordo com o serviço de monitorização de voos Flightradar24, um avião militar de transporte C-130 dos EUA aterrou em Nanyuki ainda na tarde de sexta-feira.
Dois residentes da cidade relataram igualmente ter observado aeronaves militares a dirigirem-se para a base durante o fim-de-semana, embora a Reuters não tenha conseguido confirmar se pertenciam às forças armadas norte-americanas.

























































