Dois homens, um vindo da República Democrática do Congo (RDC) e outro do Uganda, foram colocados em isolamento no Brasil por apresentarem sintomas compatíveis com o ébola, embora as autoridades tenham descartado a presença do vírus num deles. O Brasil intensificou as medidas de precaução devido à propagação do vírus mortal nos dois países.
O Ministério da Saúde brasileiro indicou no domingo (30) que não havia confirmação de ébola nos dois doentes, cujas nacionalidades não foram reveladas. No Rio de Janeiro, a Secretaria da Saúde estadual anunciou no sábado o isolamento de um homem que chegou ao Brasil vindo do Uganda em 22 de Maio, “apresentando sintomas virais como tosse, arrepios e diarreia”.
O homem testou positivo para malária e os exames apresentaram “resultados negativos para ébola”, afirmou o Ministério da Saúde no domingo. Mas as autoridades indicaram que o paciente “permanece em isolamento” enquanto a investigação é concluída.
Também no domingo, as autoridades de saúde do estado de São Paulo anunciaram que estão a investigar um caso suspeito de ébola num homem que viajou recentemente para a República Democrática do Congo.
Em comunicado, a Secretaria Estadual de Saúde adiantou que o homem apresentou sintomas como febre e foi “colocado em isolamento” no Instituto Emílio Ribas de Doenças Infecciosas, em São Paulo.
O homem testou positivo para uma forma grave de meningite, mas “a investigação sobre o ébola continua até que os exames específicos estejam concluídos”, referiu Regiane de Paula, da Coordenação Regional de Controlo de Doenças, segundo um comunicado divulgado no domingo.
As autoridades consideraram o risco de introdução da doença no Brasil como “muito baixo”, devido à ausência de transmissão local e à falta de voos directos entre o país sul-americano e a região africana afectada pelo vírus. No entanto, recomendaram que os serviços de saúde monitorizem as pessoas com febre e um historial recente de viagens à RDC, assim como os seus contactos próximos.
“O ébola matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos”
O actual surto no Congo é provocado pela estirpe bundibugyo, que apresenta uma taxa de letalidade entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina ou tratamento específico autorizado.
No país foram registadas 246 mortes e mais de mil casos suspeitos, de acordo com um mais recente relatório do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, a agência para a área da saúde da União Africana.
O ébola matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos. O surto mais mortífero na República Democrática do Congo resultou em quase 2300 mortes entre os 3500 casos registados entre 2018 e 2020.
O vírus que causa o ébola, uma febre hemorrágica altamente letal, já foi detectado em três províncias congolesas, bem como no vizinho Uganda, onde foram confirmados dois novos casos na sexta-feira, elevando o número total para nove.
Fonte: Lusa



























































