Enquanto o mundo disputa espaço para instalar painéis solares e turbinas eólicas, uma startup francesa está a apostar numa fonte de energia quase invisível e pouco conhecida fora dos círculos científicos: a electricidade produzida quando os rios encontram o oceano.
A tecnologia, chamada energia osmótica ou blue energy, tenta transformar a diferença natural de salinidade entre água doce e água salgada em geração contínua de energia.
A empresa por trás do projecto é a francesa Sweetch Energy, que afirma ter desenvolvido a primeira tecnologia industrial capaz de produzir electricidade osmótica em larga escala, usando membranas nanotecnológicas chamadas INOD. Segundo a companhia, o sistema pode operar 24 horas por dia, independentemente do vento, sol ou condições climáticas.
O princípio por trás da energia osmótica é conhecido pela ciência há décadas, mas só recentemente começou a ganhar viabilidade tecnológica.
Quando a água doce e a água salgada entram em contacto, ocorre um processo natural chamado osmose, no qual moléculas de água tendem a atravessar membranas em direcção ao ambiente mais salgado. Esta diferença de concentração cria uma forma de energia química conhecida como gradiente de salinidade.
Segundo a Sweetch Energy, a sua tecnologia usa membranas nanotecnológicas extremamente selectivas para converter esse movimento iónico em corrente eléctrica. A empresa afirma que centenas dessas membranas são empilhadas dentro de geradores osmóticos modulares para produzir electricidade contínua.
Na prática, a central aproveita algo que já acontece naturalmente em estuários, deltas e desembocaduras de rios em oceanos.
Um dos pontos mais assinaláveis da tecnologia é justamente o facto de não depender do clima. Enquanto a energia solar pára de funcionar à noite e as turbinas eólicas dependem da intensidade do vento, a energia osmótica pode operar continuamente desde que exista fluxo constante entre a água doce e a salgada.
Empresa afirma que a energia osmótica pode satisfazer até 15% da procura global
As estimativas divulgadas pela empresa são ambiciosas. Segundo a Sweetch Energy, os deltas e estuários do planeta libertam anualmente quase 30 mil TWh de energia osmótica potencial, volume superior ao consumo eléctrico global actual.
Já análises citadas pelo Fórum Económico Mundial indicam que sistemas osmóticos poderiam teoricamente chegar perto de 20% da electricidade mundial se a tecnologia alcançar maturidade industrial.
Tecnologia também pode ser usada em dessalinização e tratamento de água
A energia osmótica não serve apenas para redes eléctricas tradicionais. A Sweetch afirma que a tecnologia também pode operar em:
- Oficinas de dessalinização;
- Estações de tratamento de água;
- Comunidades costeiras isoladas;
- Ilhas;
- Instalações industriais.
Em regiões onde a água salgada e a água doce co-existem naturalmente, o sistema pode transformar rejeitos de dessalinização e fluxos hídricos em geração contínua de energia, o que torna a proposta especialmente interessante para países áridos e regiões costeiras.
Fonte: Click Petróleo e Gás





















































