O Governo está à procura de financiamento para viabilizar a construção de infra-estruturas de transporte de energia com cerca de 1300 quilómetros de extensão. O objectivo é reforçar a integração da rede eléctrica nacional e consolidar o País como um ‘hub’ energético da África Austral.
Segundo uma publicação da Agência de Informação de Moçambique (AIM), o anúncio foi feito pelo presidente do Conselho de Administração da Sociedade Nacional de Transporte de Energia (STE), Pedro Nguelume, durante um debate sobre reformas no sector energético. Na ocasião, destacou a necessidade de mobilizar recursos para concretizar os objectivos definidos para o sector.
“Não podemos falar do sistema de transporte de energia sem recordar o percurso que o País trilhou. Partimos de uma situação em que Moçambique estava isolado do financiamento internacional, dependente de múltiplas centrais a diesel e sem um sistema estruturado de transporte de energia. Vinte anos depois, alcançámos uma nova realidade, com cerca de 6000 quilómetros de linhas de transporte, construídas numa fase em que o financiamento era predominantemente assegurado através de donativos”, afirmou Pedro Nguelume.
Actualmente, a rede nacional de transporte de energia conta com aproximadamente 9000 quilómetros de linhas. Este crescimento resulta de investimentos apoiados por parceiros internacionais, incluindo os países nórdicos, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento.
Apesar dos avanços registados, o responsável reconheceu que o sector enfrenta novos desafios, sobretudo na mobilização de financiamento para sustentar a expansão da rede e responder ao crescimento da procura de energia no País.
“Temos de encontrar soluções inovadoras e envolver todos os intervenientes relevantes, incluindo o Governo, o sector bancário e os investidores interessados, para que o País possa alcançar os seus objectivos de desenvolvimento energético a médio e longo prazos”, sublinhou Pedro Nguelume.
Entre as prioridades estratégicas do sector está a ambição de transformar Moçambique num centro regional de produção e comercialização de energia até 2030. O País pretende igualmente garantir o acesso universal à electricidade e reforçar o seu papel nos mercados energéticos regionais.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da STE, a primeira fase do projecto já se encontra concluída e em operação desde 2024. Esta fase representou um investimento de cerca de 500 milhões de dólares.
Desse montante, apenas entre 25 e 30% foi financiado através de mecanismos concessionais, sendo a maior parte assegurada por donativos internacionais. A segunda fase do projecto prevê a conclusão do fecho financeiro até 2028.
A terceira etapa contempla a ligação ao empreendimento hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, considerado estruturante para o desenvolvimento do sector energético nacional.
Paralelamente, Moçambique enfrenta uma taxa de acesso à energia eléctrica de cerca de 64%. O País observa ainda oportunidades relevantes de procura energética na região, com destaque para a África do Sul, Zimbabué, Zâmbia e Tanzânia.
























































