A mentira no ambiente de trabalho é um fenómeno tão antigo quanto as próprias instituições de trabalho. Historicamente, desde as primeiras organizações, esta atitude tem desempenhado um papel intrigante nesse tipo de relação. É um comportamento que remonta às primeiras civilizações e tem sido uma constante, embora indesejável, na interação humana.
As mentiras surgem geralmente de um conflito entre os valores pessoais e os da empresa, do medo de represálias por parte da liderança ou da percepção de que certas exigências são absurdas. A pressão para atender a metas irreais muitas vezes leva os funcionários a alterarem relatórios ou informações. Este comportamento não só é prejudicial à saúde organizacional, como também pode ter repercussões legais graves.
Como eliminar este comportamento?
Reconhecer o problema representa o primeiro passo genuíno. Aceitar que se desenvolveu um padrão de desonestidade exige humildade, mas sem este reconhecimento nenhuma mudança acontece.
O segundo movimento consiste em identificar os gatilhos. Que situações desencadeiam o impulso de mentir? Conversas com determinado superior? Relatórios de desempenho? Pedidos de ajuda que expõem limitações? Mapear estes momentos permite antecipar e preparar respostas honestas.
Uma técnica eficaz é a chamada “pausa dos três segundos”. Quando surge o impulso de inventar uma desculpa ou exagerar um facto, parar três segundos e perguntar: qual a consequência de dizer a verdade neste momento? Frequentemente, a consequência imaginada é muito pior que a real. Admitir “ainda não terminei, preciso de mais duas horas” causa desconforto momentâneo, mas cria credibilidade no futuro.
Desenvolver respostas honestas pré-preparadas ajuda tremendamente. Em vez de inventar justificações elaboradas para um erro, ter uma frase simples: “Fiz uma má avaliação do tempo necessário e não consegui cumprir. Posso entregar amanhã às 14h.” Directo e honesto.
Para quem já mentiu e precisa de corrigir o rumo, a confissão estratégica pode ser necessária. Não significa revelar todas as mentiras passadas numa sessão catártica que apenas alivia a consciência de quem fala enquanto sobrecarrega quem ouve. Significa corrigir falsidades que ainda têm um impacto activo. Se atribuiu culpa injustamente a alguém, rectificar. Se roubou crédito, reconhecer publicamente a verdadeira autoria. Se exagerou competências e isso afecta um projecto em curso, admitir limitações e pedir apoio.
Quando procurar ajuda profissional?
Algumas pessoas desenvolveram padrões de desonestidade tão enraizados que a mudança individual não é suficiente. Se mentir compulsivamente afecta múltiplas áreas da vida, não apenas o trabalho, se causa ansiedade debilitante, ou se tentativas repetidas de mudança falharam, procurar apoio psicológico faz sentido.
Um coaching executivo especializado em integridade profissional também é um recurso valioso, particularmente para quadros médios e superiores cujas mentiras criaram problemas de liderança. Estes programas focam-se em reconstruir reputação enquanto desenvolvem competências de comunicação difícil.
Fonte: Ekonomista






















































