A escassez de testes está a atrasar o combate ao ébola na República Democrática do Congo, apesar de estar prevista para terça-feira (26) a chegada de seis toneladas de material médico para apoiar a resposta ao surto, afirmou Anne Ancia, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) no país.
Segundo o organismo, há pelo menos 500 casos suspeitos e 130 mortes suspeitas por ébola, que já se propagou também ao país vizinho, Uganda.
“Enviámos 12 toneladas de fornecimentos. Outras seis chegam hoje. Entre os materiais estão equipamentos de protecção individual para profissionais de saúde na linha da frente e amostras”, garantiu a representante da OMS.
Ancia apontou existir “grande incerteza” quanto à dimensão e extensão do surto da estirpe Bundibugyo do ébola, acrescentando que decorrem esforços para reforçar a vigilância, os testes e o rastreio de contactos.
Segundo a responsável, os testes para a estirpe Bundibugyo são limitados, sendo possível realizar apenas seis por hora. O surto demorou semanas a ser detectado, explicou, em parte porque os testes utilizados na zona afectada foram concebidos para a estirpe Zaire, mais comum.
“A capacidade de vigilância e de investigação é muito limitada nesta região em geral”, revelou.
A BioFire Defense, filial da empresa francesa de diagnósticos bioMérieux, produz um teste aprovado pela FDA — o BioFire Global Fever Special Pathogens Panel — capaz de detectar várias espécies do vírus do ébola, incluindo a estirpe Bundibugyo.
Um porta-voz da empresa afirmou que a capacidade de produção está a ser aumentada para apoiar os esforços de resposta.
“A BioFire Defense está activamente envolvida com autoridades de saúde pública e contactos internacionais para acompanhar a evolução do surto e avaliar possíveis necessidades de apoio”, afirmou o porta-voz.
“A capacidade de vigilância e de investigação
Anne Ancia, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) na RDCongo
é muito limitada nesta região em geral”
Anne Ancia acrescentou que a escassez de financiamento está a ter um impacto enorme na capacidade da organização para combater o ébola.
Os Estados Unidos da América (EUA) abandonaram oficialmente a OMS em Janeiro e, sob a presidência de Donald Trump, reduziram drasticamente os gastos globais com a saúde. Ainda assim, Ancia afirmou que a cooperação com Washington no combate ao surto está a funcionar “muito bem”.
“Compreendemos que não possamos receber financiamento, mas queremos continuar a dialogar, trocar informações e colaborar”, afirmou.
O gabinete humanitário das Nações Unidas, OCHA, informou ter recebido apenas 34% dos 1,4 mil milhões de dólares solicitados no apelo de financiamento para a República Democrática do Congo este ano, acrescentando que mais de metade desse valor provinha de Washington.
Fonte: Reuters



























































