Os principais índices asiáticos fecharam a sessão desta terça-feira (19) com uma maioria de perdas, num dia em que as cotadas do sector tecnológico lideraram as quedas, à medida que o agravamento dos juros das dívidas soberanas ao nível global pressionou o sentimento dos investidores, após uma recuperação que levou os índices a baterem sucessivos recordes nas últimas semanas.
Neste contexto, o índice regional MSCI Ásia-Pacífico cedeu cerca de 0,60%, enquanto os futuros do norte-americano S&P 500 perdem 0,30% e os do Euro Stoxx 50 avançam 0,20%.
Em Taiwan, o TWSE perdeu 1,75%, pressionado pela fabricante de chips Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), que desvalorizou mais de 1,50% na sessão. Na China, o Hang Seng de Hong Kong somou 0,48%, enquanto o Shanghai Composite avançou 0,71%. Na Coreia do Sul, o Kospi tombou 2,96%, com a gigante Samsung a perder mais de 1%. No Japão, o Nikkei recuou 0,50% e o Topix somou 0,56%.
As acções globais caminham para um terceiro dia de quedas, à medida que as preocupações com o Irão persistiram mesmo depois de Donald Trump ter afirmado que iria adiar novos ataques contra a República Islâmica. E embora o petróleo Brent tenha caído cerca de 1,60% para perto de 110 dólares por barril na terça-feira, na sequência dos comentários de Trump, a matéria-prima continua a registar uma subida de cerca de 80% este ano, com o Estreito de Ormuz ainda efectivamente encerrado à navegação comercial.
Os preços elevados do petróleo e as preocupações com a inflação levaram a yield das obrigações japonesas a dez anos a disparar dez pontos base na segunda-feira, atingindo níveis que não se registavam desde 1996, enquanto a rendibilidade da dívida soberana a 30 anos subiu 20 pontos base, atingindo o valor mais elevado desde o início da série histórica, em 1999.
“Os investidores continuam nervosos, uma vez que os preços das obrigações a nível global permanecem sob pressão”, afirmou à Bloomberg Frederic Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC Holdings. “Um aumento estrutural das taxas de rendibilidade irá inevitavelmente elevar a volatilidade dos activos de risco”, acrescentou.
Nesta linha, “o clima está a deteriorar-se em toda a Ásia, à medida que os investidores migram das acções para liquidez e fazem uma pausa para decidir se a trégua entre os EUA e o Irão irá durar para além do próximo ciclo noticioso. O destino preferido para posições defensivas são as acções sul-coreanas, seguidas de perto pelas acções taiwanesas. Não demorará muito até que a maior parte da região se encontre numa situação semelhante”, resumiu à agência Mark Cranfield, da Markets Live.
Entre os movimentos do mercado, a Nintendo disparou mais de 5,60% e registou na terça-feira a maior subida intradiária em bolsa em dois meses, à medida que as preocupações com a sobrevalorização das cotadas ligadas à inteligência artificial (IA) levaram os investidores a procurar oportunidades noutros sectores. As acções da Nintendo chegaram a subir quase 7% durante a sessão, marcando o terceiro dia consecutivo de ganhos, a mais longa série desde meados de Março.
A valorização acompanhou uma ampla recuperação das acções japonesas de videojogos, com a Bandai Namco Holdings a ganhar mais de 7% e o Konami Group a subir mais de 9% nesta terça-feira.


























































