O Governo prevê mobilizar 4,5 mil milhões de dólares até 2036 para financiar projectos de expansão do acesso a água potável e saneamento em Moçambique, no âmbito do Compacto Nacional de Segurança Hídrica (ProÁguas), iniciativa lançada esta segunda-feira (18) pelo Presidente da República, Daniel Chapo, em Maputo.
De acordo com a Lusa, durante o lançamento da Conferência Nacional de Investimentos de Água e Saneamento 2026-2036, o chefe do Estado afirmou que o País continua a enfrentar “desafios estruturais profundos” no acesso à água e ao saneamento, apesar do potencial hídrico existente.
“Actualmente, Moçambique apresenta níveis de cobertura de abastecimento de água estimados em cerca de 62,6%, enquanto o saneamento se situa em cerca de 38,2%”, declarou Daniel Chapo, acrescentando que persistem “fortes assimetrias” entre zonas urbanas e rurais, bem como entre províncias e comunidades mais vulneráveis.
Segundo o Presidente da República, nas zonas rurais a cobertura de saneamento é de apenas 24,6%, situação que mantém milhares de famílias expostas à prática de defecação a céu aberto.
O programa ProÁguas prevê elevar a cobertura nacional de abastecimento de água para 75% até 2036, incluindo 65% nas zonas rurais e 92% nas zonas urbanas. O plano integra igualmente investimentos em saneamento, gestão sustentável de recursos hídricos e reforço da resiliência climática.
Daniel Chapo explicou que o projecto assenta em cinco pilares estratégicos, nomeadamente o fortalecimento institucional e regulatório do sector, a melhoria da gestão de recursos hídricos, a expansão do acesso aos serviços de água e saneamento, o aumento da eficiência operacional e a promoção da participação do sector privado no financiamento das infra-estruturas.
Entre os principais investimentos previstos constam a construção e reabilitação de quatro grandes barragens, mil pequenas barragens e reservatórios escavados, além da instalação de mais de 300 estações de monitoria de recursos hídricos. “O compacto prevê ainda milhares de novas ligações de água em todo o País e infra-estruturas de saneamento melhorado”, referiu o Presidente.
No sector social, o ProÁguas contempla igualmente a construção e reabilitação de infra-estruturas de água, saneamento e higiene em mais de 12 mil escolas e centenas de unidades sanitárias. “Queremos escolas onde a água promova aprendizagem, saúde e dignidade. Queremos unidades sanitárias onde o saneamento proteja vidas e comunidades onde a água deixe de ser um privilégio”, afirmou Daniel Chapo.
O Presidente da República apelou ainda ao envolvimento do sector privado, parceiros de cooperação e sociedade civil na implementação do programa, defendendo que o acesso à água e ao saneamento constitui uma condição essencial para o desenvolvimento económico e social do País.





















































