Sabe como se formam as borbulhas de um espumante? Ao contrário do que acontece com a maioria das bebidas gaseificadas, o gás presente neste estilo de vinho é resultado de um processo natural. De forma resumida: as leveduras consomem o açúcar da uva e libertam CO₂ durante a fermentação, criando a característica efervescência. Mas vamos com calma, sabemos que é muita informação para assimilar de uma só vez.
O que precisamos de entender, de início, é que nem todas as marcas passam pelo mesmo processo de elaboração. E é precisamente essa diferença na produção que explica os diversos estilos, sabores e até os preços.
A seguir, vamos explorar os três principais métodos utilizados na produção de espumantes, as suas características e rótulos mais emblemáticos.
1. Método tradicional: o clássico de Champagne
O método tradicional, também chamado champenoise, é o mais antigo e conhecido. A sua origem remonta ao século XVII, na região de Champagne, França, dando origem a alguns dos melhores espumantes até aos dias de hoje.
Como funciona?
Após a fermentação do vinho base, este é engarrafado com a adição de leveduras e açúcar (licor de tiragem). A garrafa é então fechada com uma tampa provisória e armazenada na horizontal. A segunda fermentação ocorre dentro da garrafa, produzindo o dióxido de carbono, que fica integrado no líquido sob a forma de bolhas.
Depois disso, o vinho permanece em contacto com as leveduras mortas (técnica chamada sur lies) durante um período mínimo de 12 meses (em Champagne, exige-se pelo menos 15 meses), conferindo uma textura cremosa e aromas terciários: fermento, brioche, mel e amêndoas.

Por fim, o vinho passa pelo remuage (rotação das garrafas para acumular os resíduos no gargalo), pelo dégorgement (remoção desses resíduos) e recebe a dosagem que define o nível de açúcar (brut, extra brut, etc.).
Perfil sensorial
Espumantes elaborados pelo método champenoise costumam ter perlage fino e persistente, corpo médio a encorpado e aromas terciários.
O que experimentar?
Champagne Mandois Brut Origine: produzido com as castas Chardonnay (40%), Pinot Noir (30%) e Pinot Meunier (30%) de Côtes des Blancs, Côte de Sézanne, Côte d’Épernay e Côtes des Bars, todas em Champagne, envelhece durante três anos em caves do século XVIII. Na prova, revela aromas de fruta madura, com notas tostadas e acidez vibrante.
2. Método Charmat: leveza e expressão da fruta
Criado no início do século XX pelo enólogo francês Eugène Charmat, este método também é conhecido como método italiano ou Martinotti. Tornou-se especialmente popular entre os produtores de Prosecco e de espumantes do Novo Mundo.
Como funciona?
Neste caso, a segunda fermentação ocorre em grandes tanques de inox, chamados autoclaves. Após a adição de leveduras e açúcar ao vinho base, os tanques são fechados e refrigerados para que a fermentação aconteça de forma controlada e mais rápida do que no método tradicional.
Depois da fermentação, o vinho é filtrado, estabilizado e engarrafado sob pressão.
Perfil sensorial
O método Charmat privilegia a preservação dos aromas primários da uva, como os de fruta fresca e citrinos, além de notas florais. O perlage tende a ser mais ligeiro e o corpo mais leve. São vinhos frescos e descomplicados, perfeitos para dias mais quentes.
O método tradicional, também chamado champenoise, é o mais antigo e conhecido. A sua origem remonta ao século XVII, na região de Champagne, França, dando origem a alguns dos melhores espumantes até aos dias de hoje
O que experimentar?
Espumante Norton 101 Bubbles Extra Brut: produzido com a casta Grüner Veltliner em Mendoza, apresenta aromas cítricos, tropicais e de fruta branca. No paladar, é leve e tem uma acidez refrescante.
3. Método Asti: a doçura dos Moscato do Piemonte
Típico do Piemonte, em Itália, o método Asti é exclusivo para espumantes elaborados com Moscato Bianco e é utilizado para produzir vinhos doces e aromáticos, como o Asti DOCG e o Moscato d’Asti.
Como funciona?
Ao contrário dos métodos anteriores, aqui o sumo fresco da uva é arrefecido e mantido em tanques pressurizados. A fermentação é interrompida antes que todo o açúcar se transforme em álcool, preservando assim o açúcar natural da uva e uma baixa graduação alcoólica (geralmente entre 6% e 8%).
O dióxido de carbono forma-se também de maneira natural, mas como existe apenas uma fermentação, o processo é mais curto e pensado para preservar a intensidade aromática e o frescor.
Perfil sensorial
Os espumantes Asti são doces, muito aromáticos, com notas florais e de fruta como pêra e maçã verde, além de mel. São leves e com acidez equilibrada, ideais para acompanhar sobremesas.
O que experimentar?
Asti DOCG Dolce Millesimato Truffle Hunter Leda: produzido pela Bosio Family Estates, apresenta aromas florais e frutados e, no paladar, revela-se doce na medida certa, fresco e equilibrado.
O melhor espumante é…
Depois de conhecer os principais métodos de produção, torna-se mais fácil perceber que não existe um espumante melhor. Tudo depende daquilo que prefere e procura no copo. Escolher o rótulo ideal passa por conhecer os processos e, claro, experimentar. Na secção de espumantes, encontra opções produzidas pelos três métodos. Descubra o seu preferido!
Fonte: Grande Adega






























































