A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) passou a deter 25,2% do capital social das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), tornando-se no principal accionista institucional da companhia aérea estatal no âmbito do processo de recapitalização e reestruturação aprovado pelo Governo, segundo informou a Lusa.
De acordo com a Conta Geral do Estado de 2025, a HCB aprovou um investimento de 36 milhões de dólares na transportadora aérea, operação integrada num plano mais amplo que inclui igualmente a criação da Fly Moz, entidade concebida para apoiar o financiamento da LAM.
No mesmo processo, a Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) e os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) passaram cada um a deter 15,4% do capital social da companhia, após aprovarem investimentos avaliados em 22 milhões de dólares cada.
Com estas operações, as três empresas públicas passam a controlar conjuntamente 56% da estrutura accionista da LAM, numa altura em que o Executivo procura recuperar a sustentabilidade financeira e operacional da transportadora de bandeira.
A recapitalização da empresa enquadra-se na decisão aprovada pelo Governo em 2025 de alienar 91% do capital social da LAM a entidades públicas estratégicas, num esforço destinado a reforçar a capacidade financeira da companhia, renovar a frota e estabilizar as operações. Além da entrada dos novos accionistas, o Estado concedeu igualmente um subsídio directo de 255,4 milhões de meticais à empresa durante 2025, segundo o mesmo documento.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou, entretanto, reservas quanto à utilização de recursos de empresas públicas lucrativas para financiar a transportadora aérea. Num relatório divulgado em Fevereiro, a instituição alertou para o risco de desvio de fundos destinados a “infra-estruturas críticas”, defendendo maior transparência e análises rigorosas de custo-benefício nos investimentos realizados na LAM.
O FMI considera ainda essencial que as garantias estatais concedidas a empresas públicas com dificuldades financeiras sejam sujeitas a critérios mais exigentes de supervisão e desempenho.
Ao apresentar anteriormente o plano de reestruturação no parlamento, o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, afirmou que o objectivo do processo passa por recapitalizar a empresa, reestruturar as operações e adquirir novas aeronaves, preservando simultaneamente o controlo estatal da companhia.
Segundo o governante, a entrada da HCB, CFM e Emose no capital social reforça o carácter estratégico da LAM e assegura a manutenção da transportadora ao serviço do interesse público.

























































