A transição de CTJ Consultoria para uma nova identidade não é apenas um exercício de rebranding (reformulação de marca) — é a formalização de uma ambição maior, construída a partir de Maputo, mas desenhada para operar à escala regional e global.
Num mercado onde a consultoria continua, muitas vezes, confinada à recomendação, a Axis Advisory propõe-se a um reposicionamento mais exigente: ligar estratégia e execução, risco e resultado, visão e impacto mensurável. Com raízes em sectores críticos da economia e experiência acumulada em grandes organizações internacionais, os seus fundadores defendem um modelo de advisory (aconselhamento) que se compromete com valor tangível, e que acompanha o cliente até à concretização. Marcelo Tertuliano, sócio fundador da consultora, e Paulo Silva Pereira, sócio da Axis Advisory, defendem este reposicionamento claro da consultoria tradicional.
Para Marcelo Tertuliano, a evolução da antiga CTJ Consultoria pode ser comparada ao crescimento de um embondeiro: “Na sua fase inicial de vida é apenas um pequeno tronco, crescendo com todos os cuidados que uma planta jovem requer. Mas ele sabe que é embondeiro e que um dia precisará de mudar de vaso e ganhar raízes na terra, para se tornar maior e crescer com vigor”. É precisamente essa fase de “replantação” que a consultora atravessa, sustentada numa trajectória de mais de 30 anos do seu fundador, que passou por organizações como a Arthur Andersen, a Vale e a Vulcan, acumulando experiência em contextos industriais e financeiros de grande escala. “A possibilidade de apoiar no crescimento do sector empresarial em Moçambique, bem como além-fronteiras, através da CTJ, foi determinante na minha decisão de abraçar o País como a minha nova casa”, assinala.
“O País continua a ser um mercado com enorme potencial, mas onde a execução disciplinada será o principal factor diferenciador”
A mudança para Axis Advisory, reforça Paulo Silva Pereira, é estrutural: “Quando me juntei à CTJ, percebi que tudo era muito intencional, muito formal e de cariz corporativo. Essa maturidade institucional, a corporização que temos em curso e a ambição internacional exigiam um alinhamento entre a identidade e a visão”. O novo nome reflecte essa ambição, posicionando a empresa como um eixo — “Axis” — de ligação entre estratégia, capital, transformação e execução. A consultora organiza hoje a sua actividade em três áreas principais — Strategy, Business Development e Enterprise Services (estratégia, desenvolvimento de negócio e serviços empresariais) —, actuando em sectores como recursos minerais, energia, tecnologia, serviços financeiros, agro-negócio e logística e com presença em mercados como Moçambique, África do Sul, Zâmbia e Botsuana, bem como com parcerias em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos.
O percurso de Paulo Silva Pereira, que regressou a Moçambique, em 2012, para liderar a Accenture, integrando, mais tarde, o banco FNB, reforça essa visão global. “Sempre brincámos que um dia iríamos sonhar alto e fazer algo juntos, algo nosso, de Moçambique para o mundo e com uma qualidade semelhante à que se faz em qualquer ponto do globo”. Para o sócio, essa ambição é hoje ainda mais concreta: “Maputo ou Nova Iorque podem equiparar-se em alguns serviços e visão de mercado. E podemos trabalhar para ambos. Porque não?”
Valor, impacto e desafios permanentes
No centro do posicionamento da Axis Advisory está uma abordagem orientada para valor tangível. “O nosso foco está em gerar valor para o cliente”, explica Marcelo Tertuliano. “Não trabalhamos com base em horas, mas no esforço necessário para gerar impacto. A nossa dedicação acompanha sempre o que o projecto exige, sem surpresas”. Em muitos casos, acrescenta, a firma adopta modelos híbridos de remuneração, combinando componentes fixas com taxas de sucesso, numa lógica de partilha de risco e alinhamento com os resultados.

Essa lógica reflecte-se nos desafios que os clientes colocam à consultora. Desde processos de fusão e integração empresarial, onde “é fundamental garantir que a nova entidade atinja o retorno sobre o investimento planeado”, como refere Paulo Silva Pereira, até à optimização de gestão de caixa e arquitectura financeira, num contexto marcado por restrições de liquidez e acesso a moeda estrangeira. “Este é um desafio muito actual e crítico para várias organizações”, confirma Marcelo Tertuliano, sublinhando que a Axis tem trabalhado com multinacionais em modelos de partilha conjunta de risco e valor.
A empresa está também envolvida no apoio a multinacionais que pretendem entrar em Moçambique, bem como na definição de estratégias de expansão para empresas já estabelecidas. Isso inclui desde a identificação de parceiros locais até à integração nas cadeias de valor críticas e à substituição de importações por produção local. Em paralelo, a Axis desenvolve trabalho ao nível da transformação digital, nomeadamente na implementação de “soluções híbridas de trabalho humano e agentes artificiais”, que, segundo os sócios, terão impacto directo na eficiência operacional e na qualidade do serviço ao cliente.
Oportunidades estruturais
Num contexto global marcado por volatilidade, pressão sobre margens e necessidade de adaptação constante, Marcelo Tertuliano identifica um conjunto de oportunidades estruturais. “Vemos oportunidades claras em sectores como energia, recursos naturais, logística e serviços financeiros, bem como na integração regional e na transformação digital, ainda numa fase inicial em muitos sectores”. Paulo Silva Pereira reforça essa leitura, destacando o potencial de Moçambique: “O País continua a ser um mercado com enorme potencial, mas onde a execução disciplinada será o principal factor diferenciador”. Para o gestor, o actual contexto global pode mesmo jogar a favor do País, numa altura em que o mundo procura alternativas de fornecimento em áreas como energia, alimentos e fertilizantes.
A proposta da Axis Advisory assenta, assim, numa ruptura com o modelo tradicional de consultoria. “O que importa é valor tangível, medido, entregue, implementado”, afirma Paulo Silva Pereira. “E um compromisso de pagar se esse valor for entregue”. Marcelo Tertuliano acrescenta que a firma combina advisory com “activação, estruturação e execução”, recorrendo a metodologias próprias, equipas seniores e parcerias internacionais especializadas. “Não temos templates [modelos]. Co-criamos soluções e adaptamos inovação global à realidade de cada cliente”.

Essa capacidade de adaptação e execução em ambientes complexos é vista como um dos principais diferenciadores da equipa, que integra experiência internacional e conhecimento profundo do contexto local. “Temos uma forte capacidade de leitura contextual, rigor e comparabilidade entre mercados”, sublinha Paulo Silva Pereira, acrescentando que a firma trabalha com parceiros em áreas como tecnologia, formação de capital humano e internacionalização de empresas.
O objectivo de longo prazo é claro: posicionar a Axis Advisory como um catalisador de valor no ecossistema empresarial nacional e regional e Marcelo Tertuliano descreve essa ambição de forma directa: “Queremos ser a referência para aquele empresário que acorda a meio da noite com uma preocupação ou uma oportunidade e não tem com quem falar. Queremos que saiba que pode contar connosco”. E sintetiza, numa imagem, a ambição que o conduz e que recupera com a metáfora inicial: “Queremos ser o tal embondeiro, que nasce em Moçambique, que gera frutos e alcança qualquer parte do mundo”.
O novo nome reflecte uma ambição, posicionando a empresa como um eixo — “Axis” — de ligação entre estratégia, capital, transformação e execução
Texto Pedro Cativelos • Fotografia Mariano Silva





















































