A poluição do ar continua a representar um grande desafio de saúde pública e ambiental em África, com as partículas finas, conhecidas como PM2,5, no centro das preocupações.
As PM2,5 são partículas microscópicas suficientemente pequenas para penetrar profundamente nos pulmões e entrar na corrente sanguínea, aumentando o risco de doenças respiratórias e cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais e outros problemas de saúde a longo prazo.
O relatório World Air Quality 2025, da IQAir, apresenta a avaliação mais abrangente da qualidade do ar a nível mundial até à data, abrangendo 9446 cidades em 143 países, regiões e territórios.
Os dados têm origem em mais de 40 mil estações de monitorização regulamentares e sensores de baixo custo, geridos por governos, universidades, organizações sem fins lucrativos, empresas e cientistas cidadãos.
As concentrações são apresentadas em microgramas por metro cúbico (µg/m³), padronizadas segundo as directrizes anuais da Organização Mundial da Saúde para PM2,5, assegurando medidas claras e comparáveis da qualidade do ar.
Países mais poluídos de África
De acordo com o relatório de 2025 da IQAir, os países africanos mais poluídos são aqueles onde as concentrações de PM2,5 ultrapassam largamente a directriz da Organização Mundial da Sáude (OMS) de 5 µg/m³, evidenciando importantes desafios ambientais e de saúde pública.

Os dados de 2025 revelam que a qualidade do ar em África é um recurso frágil e dinâmico, influenciado tanto por condições climáticas naturais como pela actividade humana.
Entre os países mais poluídos do continente destacam-se o Chade, a República Democrática do Congo, o Uganda, o Egipto e o Ruanda, reflectindo uma combinação de fontes naturais e de origem humana na poluição por PM2,5.
Os elevados níveis de PM2,5 nestes países resultam de factores naturais, urbanos e industriais.
Nos países do Sahel, como o Chade e o Níger, as tempestades de poeira do Saara contribuem significativamente para o aumento das partículas, enquanto quadros regulamentares limitados e o uso generalizado de biomassa para cozinhar e aquecer agravam os níveis de poluição.
Na África Central, países como a República Democrática do Congo enfrentam pressões adicionais decorrentes da exploração mineira, desflorestação e emissões urbanas, que libertam grandes quantidades de partículas para a atmosfera.
Nos países da África Oriental e Austral, incluindo o Uganda, o Ruanda, a Etiópia e o Burundi, observa-se o impacto cumulativo da rápida urbanização, da actividade de construção, do congestionamento do tráfego e da dependência do carvão vegetal ou da lenha, evidenciando a ligação entre desenvolvimento e riscos ambientais.

No Norte de África, o Egipto regista níveis elevados de PM2,5 devido à actividade industrial, ao tráfego intenso e à poeira do deserto, especialmente em centros urbanos como o Cairo, onde a combinação de fontes naturais e humanas gera desafios persistentes na qualidade do ar.
No Sudão, a poluição atmosférica é igualmente agravada por tempestades de poeira e pela queima a céu aberto de resíduos agrícolas, enquanto as megacidades da Nigéria ilustram os efeitos da elevada densidade populacional, do uso intensivo de veículos e das emissões industriais.
Em todo o continente, estes factores convergem para criar condições de qualidade do ar perigosas, com populações expostas a níveis de PM2,5 várias vezes superiores aos padrões internacionais de saúde.
A resposta a estes desafios exige estratégias múltiplas, incluindo o uso de energias domésticas mais limpas, normas mais rigorosas para emissões industriais e automóveis, expansão da monitorização da qualidade do ar e medidas de planeamento urbano.
Fonte: Business Insider Africa





















































