Governo e organizações da sociedade civil defenderam, nesta quinta-feira (14), em Maputo, uma maior inclusão das mulheres nas políticas de resposta às mudanças climáticas, durante um encontro que analisou os impactos dos eventos extremos, a transição energética e os desafios enfrentados pelas comunidades mais vulneráveis.
Numa altura em que o País continua vulnerável aos efeitos das alterações climáticas, enfrentando ciclones, inundações e secas, especialistas reuniram-se na conferência nacional subordinada ao tema “Do Plano de Acção de Género de Belém à Transição Justa e Inclusiva em Moçambique”, realizada esta quinta-feira, apelando a uma maior inclusão das mulheres, especialmente das que vivem em comunidades rurais, nos planos de mitigação e resposta a catástrofes naturais.
“Que as suas vozes sejam ouvidas e que o Parlamento tenha verdadeiramente em conta os contributos das mulheres. Que a Terceira Comissão da Assembleia da República, o Gabinete do Grupo Parlamentar de Mulheres e as Assembleias Provinciais os considerem e valorizem verdadeiramente, não apenas das mulheres, mas também dos jovens”, apelou Lourena Mazive, representante do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD).
Segundo os participantes, as mulheres estão entre os grupos mais afectados pelos efeitos das mudanças climáticas, sobretudo aquelas que dependem da agricultura para subsistir.
“Sabemos que todos somos afectados pelas mudanças climáticas, mas de formas e intensidades diferentes. Neste debate, pretende-se olhar com atenção para a forma como a mulher pode ser melhor enquadrada nas políticas climáticas, de modo a contribuir activamente e, ao mesmo tempo, não ser desproporcionalmente impactada pelos seus efeitos”, afirmou Rodrigues Dambo, presidente do Conselho Cristão.
O encontro serviu igualmente para debater a transição energética, com o Governo a anunciar progressos na expansão da energia solar nas comunidades.
“Não estamos apenas preparados; já estamos a realizar a transição energética. Se observarmos, já temos, através do Fundo Nacional de Energia, a promoção de energia fora da rede através de painéis solares”, declarou o secretário de Estado da Terra e Ambiente no Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Gustavo Djedje.
De acordo com o responsável, mesmo onde a rede eléctrica convencional não chega, “já encontramos o uso de energia solar nas comunidades. Encontramos também vários instrumentos de política, algumas acções concretas, como fogões de baixo consumo, e vemos a grande preocupação do Governo em introduzir o gás de cozinha”, destacou.
As organizações da sociedade civil defendem, contudo, que a transição energética deve criar oportunidades económicas e melhorar as condições de vida das comunidades mais vulneráveis.
Na ocasião, os participantes sublinharam ainda a necessidade de garantir que ninguém seja deixado para trás no processo de resposta às mudanças climáticas.
A conferência foi organizada pelo Comité Ecuménico para o Desenvolvimento Social (CEDES) em parceria com o IMD, no âmbito de iniciativas de promoção da governação climática inclusiva e participação política.
A participação do IMD no evento decorreu no âmbito de implementação do projecto “Reforçando o papel de fiscalização do Parlamento e das Assembleias Provinciais de Moçambique na governação dos recursos naturais e das mudanças climáticas”, financiado pelo Ministério finlandês dos Negócios Estrangeiros, através da Demo Finland, organização finlandesa de promoção da democracia multipartidária.
Fonte: O País



























































