O Botsuana tornou-se o primeiro banco central africano a aumentar as taxas de juro após a guerra no Irão ter desencadeado um choque energético global, tendo o comité de política monetária subido a taxa directora de 3,5% para 5,5%, numa altura em que o Banco Central do Botsuana prevê que a inflação mais do que duplique neste mês de Maio, segundo anunciou nesta quinta-feira (13) o governador do banco Lesego Moseki, em Gaborone.
“O comité de política monetária espera que a inflação aumente significativamente no curto prazo e ultrapasse o limite superior da meta situada entre 3% e 6% no segundo trimestre, devido aos recentes aumentos dos preços dos combustíveis, das tarifas dos transportes públicos e dos prémios dos seguros de saúde”, afirmou. “Prevê-se que a inflação atinja uma média de 8,7% em 2026, antes de recuar para 5,6% em 2027.”
Segundo o governador, a medida visa igualmente reforçar a transmissão da política monetária, alertando, contudo, que a inflação poderá superar as previsões devido aos efeitos indirectos da subida dos preços internos dos combustíveis e de possíveis aumentos de preços administrados, como tarifas de electricidade e transportes públicos.
A guerra entre os Estados Unidos da América (EUA), Israel e o Irão, iniciada a 28 de Fevereiro, provocou uma subida acentuada dos custos dos alimentos, fertilizantes e energia, devido ao encerramento do Estreito de Ormuz, ponto de passagem de pelo menos um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo, bem como de gás natural liquefeito e de uma parcela significativa de nutrientes agrícolas essenciais. Em resposta, governos em várias partes do mundo inverteram a orientação da política monetária, limitaram preços da energia e reduziram impostos sobre combustíveis.
A Oxford Economics afirmou, numa nota de investigação publicada a 15 de Abril, que o aumento dos preços dos combustíveis terá um impacto “substancial” na inflação do Botsuana neste ano, devido ao peso significativo dos transportes no índice utilizado para calcular os preços no consumidor, um dos mais elevados do continente.
O banco central prevê que a inflação dispare para 8,9% neste mês, face aos 4,2% registados em Março, devido à guerra no Irão, afirmou Innocent Molalapata, responsável da instituição. Caso se confirme, será o nível mais elevado dos últimos três anos.
Para países como o Botsuana, cuja economia já enfrenta dificuldades devido a uma das piores crises da indústria diamantífera, responsável por cerca de 80% das exportações e um terço das receitas do Estado, a guerra está a aumentar ainda mais a pressão económica.
“Com as pressões orçamentais a permanecerem elevadas no curto prazo, as taxas de juro no país poderão manter-se altas durante mais tempo, o que continuará a afectar o crédito ao consumo”, afirmou Lyle Begbie, economista da Oxford Economics, numa nota divulgada nesta quinta-feira.
“Prevê-se que a inflação atinja uma média de 8,7% em 2026, antes de recuar para 5,6% em 2027”
Lesego Moseki – governador do Banco Central de Botsuana
O país da África Austral enfrenta igualmente um surto de febre aftosa. As exportações de carne bovina para a União Europeia, um mercado estratégico, foram restringidas na sequência do surto.
Segundo o governador, o surto e as restrições impostas à circulação e abate de gado poderão contribuir para um aumento adicional da inflação alimentar.
Fonte: Bloomberg





















































