A África do Sul enfrenta um duplo golpe devido à incerteza política interna e aos ventos contrários externos, alertou a agência S&P Global Ratings, destacando que está a acompanhar se o Governo de coligação do país conseguirá manter-se unido e dar continuidade às reformas que estiveram na base da subida da notação de crédito no ano passado.
Segundo noticiou a Reuters, o Tribunal Constitucional da África do Sul abriu caminho, na sexta-feira (8), para a realização de uma audiência de destituição relativa à conduta do Presidente Cyril Ramaphosa no escândalo Quinta Phala Phala ou Farmgate, depois de um relatório de um painel ter concluído que o governante tinha de responder por acusações relacionadas com o roubo de 580 mil dólares em dinheiro escondido num sofá na sua quinta.
Este desenvolvimento coloca o Governo de coligação sob novo escrutínio, à medida que o aumento dos preços do petróleo e dos custos de financiamento agravam a pressão sobre a economia decorrente do conflito no Médio Oriente.
A directora de Análise e Investigação para África da S&P, Samira Mensah, disse à Reuters que a agência está a acompanhar “a força da coligação e a estabilidade da mesma para poder levar a cabo as reformas previstas.”
A S&P elevou a notação de crédito da África do Sul pela primeira vez em duas décadas em Novembro do ano passado, citando a melhoria do crescimento e da trajectória fiscal do país.
A perspectiva da agência para o crédito soberano africano era positiva no início de 2026, após dois anos de melhorias nas notações, embora o conflito no Médio Oriente represente agora um risco, de acordo com Mensah.
Mais de três quartos dos soberanos africanos com notação de risco são importadores líquidos de combustível e fertilizantes, o que deixa países como o Egipto, Moçambique e Ruanda mais expostos aos aumentos de preços provocados pela guerra, enquanto exportadores como a Nigéria e Angola estão mais protegidos.
Os países africanos gastam, em média, cerca de 17% das receitas no pagamento de juros, em comparação com uma mediana global de cerca de 5,5%, o que deixa pouca margem orçamental para amortecer choques externos.
Samira Mensah alertou que os Governos que eliminaram recentemente os subsídios aos combustíveis enfrentam uma pressão política para reverter essas reformas à medida que o conflito se prolonga.

























































