O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) em Moçambique cresceu 60,2% em 2025, atingindo 5,6 mil milhões de dólares, impulsionado sobretudo pelos megaprojectos de gás natural na bacia do Rovuma e pela recuperação da actividade extractiva, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique.
De acordo com o relatório do banco central, o aumento do fluxo de capitais estrangeiros continua a ser sustentado pelos Grandes Projectos (GP), com destaque para os investimentos ligados à prospecção e pesquisa de hidrocarbonetos no norte do País, além da revitalização da indústria do carvão mineral e das areias pesadas, segundo informou a Lusa.
“A evolução crescente do IDE dos GP, observada nos últimos anos, é justificada essencialmente pelo aumento do influxo de capitais associados aos projectos da indústria de petróleo e gás”, refere o documento.
O relatório acrescenta que as empresas fora da categoria dos Grandes Projectos apresentaram um desempenho irregular nos últimos anos, embora tenham registado maior dinamismo em 2021, acompanhando a procura gerada pelos empreendimentos extractivos, particularmente nos sectores de transportes, armazenagem e comunicações.
Em 2024, Moçambique havia registado um IDE de 3,5 mil milhões de dólares, valor que já representava um crescimento de 41,5% face ao ano anterior. Em 2023, o aumento tinha sido de apenas 2%. A indústria extractiva manteve-se como principal destino do investimento estrangeiro, absorvendo 5,2 mil milhões de dólares, o equivalente a 91,5% do total do IDE registado em 2025. O montante representa um crescimento de 68,2% em relação ao ano anterior.
A indústria transformadora captou 120,9 milhões de dólares, correspondentes a 2,1% do total do IDE, registando uma redução de 10,4% face a 2024.
Por sua vez, o sector imobiliário, aluguer e serviços às empresas recebeu 66,4 milhões de dólares, equivalentes a 1,2% do investimento estrangeiro total, reflectindo um crescimento anual de 17,9%. As projecções do Governo apontam para um novo recorde de investimento estrangeiro em 2026, estimado em 5,8 mil milhões de dólares, novamente impulsionado pelos projectos de gás natural liquefeito (GNL) na bacia do Rovuma.
Segundo os documentos de suporte ao Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) de 2026, o desempenho será influenciado pela implementação de projectos estruturantes associados à exploração de gás natural no offshore da província de Cabo Delgado.
Moçambique conta actualmente com três megaprojectos aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, consideradas entre as maiores reservas offshore do mundo.
Entre eles estão o projecto liderado pela francesa TotalEnergies e o da norte-americana ExxonMobil, avaliado em cerca de 30 mil milhões de dólares, ambos localizados em Afungi e ainda à espera da decisão final de investimento. A estes soma-se o projecto Coral Sul, operado pela italiana Eni, que produz gás natural desde 2022 através de uma plataforma flutuante com capacidade aproximada de sete milhões de toneladas por ano. A petrolífera prevê igualmente avançar com a plataforma Coral Norte a partir de 2028, num investimento estimado em 7,2 mil milhões de dólares.





















































