A startup queniana de tecnologia financeira PEMiG desenvolveu uma plataforma inteligente de crédito, denominada “Sistema Próprio de Pontuação de Crédito Causal” (CCSE), criada especificamente para credores africanos, ao ajudar pessoas com pouco ou nenhum histórico formal de crédito a terem acesso a empréstimos.
Baseada na Inteligência Artificial (IA), a ferramenta faz análise de dados de capital social e avaliação comportamental para ajudar bancos, instituições de microfinanças e fintechs de crédito a avaliarem riscos de clientes para além dos dados tradicionais dos bureaus de crédito — empresas privadas autorizadas pelo banco central a recolher, organizar e armazenar informações financeiras de consumidores e empresas.
“O problema que resolvemos é fundamental: mais de 80% dos adultos na África Subsaariana são mutuários com histórico de crédito limitado ou inexistente. Em vez de perguntar ‘o que diz o histórico de crédito desta pessoa?’, perguntamos ‘quem é realmente esta pessoa e qual a probabilidade de pagar o empréstimo?’. Construímos perfis dinâmicos e em tempo real que evoluem ao longo do tempo, oferecendo aos credores uma visão viva do risco, e não apenas uma fotografia momentânea”, explicou Felix Sifuna, co-fundador da PEMiG.
De acordo com o responsável, a equipa percebeu que muitas instituições financeiras rejeitavam diariamente clientes merecedores de crédito, não por serem arriscados, mas porque as ferramentas existentes não conseguiam avaliá-los correctamente. Embora existam outras fintechs africanas de pontuação alternativa de crédito, Sifuna afirma que muitas dependem apenas de dados de transacções de dinheiro móvel, o que continua a excluir parte significativa da população e não possui a camada de raciocínio causal utilizada pela PEMiG.
“O nosso sistema é, até onde sabemos, o único motor de inteligência de crédito no mercado da África Oriental a utilizar IA causal especificamente para decisões de risco direccionadas aos credores”, disse.
A adesão ao serviço, segundo sublinhou, foi “mais forte do que o esperado”. Actualmente, a startup conta com cinco instituições financeiras parceiras a utilizar activamente o sistema e dois projectos-piloto adicionais em curso. Mais de 1500 mutuários já foram avaliados através da plataforma, processando cerca de 250 mil dólares em volume de empréstimos ao longo de 18 meses.
Para uma startup em fase inicial e financiada sem capital externo, a empresa considera os resultados significativos, sobretudo por vender tecnologia complexa para instituições financeiras reguladas, geralmente lentas na adopção de novas soluções. A PEMiG adoptou um modelo B2B SaaS (Business to Business Software as a Service), cobrando subscrições às instituições financeiras pelo acesso ao sistema, além de taxas adicionais ligadas ao volume de avaliações processadas.
Fonte: Disrupt Africa























































