Duas pessoas testaram positivo para hantavírus após terem sido retiradas de um navio de cruzeiro de luxo afectado por um surto mortal, segundo autoridades de saúde. Entretanto, o Governo da Espanha preparava-se, nesta segunda-feira, 11 de Maio, para retirar e repatriar os últimos passageiros que permaneciam a bordo da embarcação.
Segundo reportou a Reuters, a ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, afirmou nesta segunda-feira que uma passageira francesa evacuada do navio MV Hondius testou positivo ao vírus e o seu estado de saúde está a piorar.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos da América (EUA) informou no domingo, dia 10, que um dos 17 norte-americanos em processo de repatriamento testou ligeiramente positivo à estirpe Andes do vírus, enquanto outro apresentava sintomas ligeiros.
Os últimos 24 passageiros ainda a bordo do MV Hondius deverão ser evacuados na tarde desta segunda-feira, a partir do navio agora ancorado perto da ilha espanhola de Tenerife, no Atlântico, segundo autoridades espanholas que coordenam as evacuações.
A operação irá concluir um processo complexo que já resultou na evacuação e repatriamento de 94 pessoas para os seus países de residência, 41 dias após a partida do navio do sul da Argentina e nove dias depois do primeiro teste positivo para a infecção viral respiratória.
Três pessoas morreram desde o início do surto, um casal neerlandês e um cidadão alemão.
Últimos voos para Austrália e Países Baixos
A ministra da Saúde de Espanha, Mónica García, afirmou numa conferência de imprensa no domingo à noite que um avião partirá nesta segunda-feira para os Países Baixos com 18 passageiros de países que não enviaram aeronaves de repatriamento próprias.
Um segundo e último voo partirá para a Austrália por volta das 18h locais, com seis passageiros, incluindo um da Nova Zelândia e outros oriundos de países asiáticos não especificados.
Após as evacuações, o navio seguirá para os Países Baixos, o seu país de bandeira, disse a ministra, acrescentando que cerca de 30 tripulantes permanecerão a bordo. Depois disso, e com todos os passageiros desembarcados, incluindo o cidadão alemão falecido que ainda se encontra na morgue do navio, a embarcação será totalmente desinfectada.
“Isto não é covid”
O MV Hondius transportava 147 passageiros e tripulantes de 23 países quando um conjunto de doenças respiratórias graves entre passageiros foi comunicado à Organização Mundial da Saúde (OMS) a 3 de Maio.
Nessa altura, outros 34 passageiros já tinham deixado o navio, que partiu da Argentina em Março, com paragens na Antártida e noutros locais, antes de seguir para águas ao largo de Cabo Verde, a oeste de África. O navio foi temporariamente retido na região na semana passada após a divulgação do surto.
O vírus, normalmente transmitido por roedores selvagens mas que em casos raros pode ser transmitido entre humanos em contacto próximo, foi inicialmente detectado por autoridades de saúde em Joanesburgo, na África do Sul, a 2 de Maio, ao tratarem um cidadão britânico que foi internado em cuidados intensivos após desembarcar do navio. Tal ocorreu cerca de três semanas após a morte do primeiro passageiro, o cidadão neerlandês.
O luxuoso navio de cruzeiro partiu da costa de Cabo Verde rumo às Ilhas Canárias, em Espanha, em 6 de Maio, depois de Madrid ter concordado, a pedido da OMS e da União Europeia, em gerir a retirada dos passageiros.
A OMS recomendou uma quarentena de 42 dias para todos os passageiros do navio a partir de 10 de Maio, informou a directora de Gestão de Epidemias e Pandemias da organização, Maria Van Kerkhove, numa conferência de imprensa. As autoridades de saúde pediram calma, lembrando ao público, traumatizado pela experiência da pandemia de covid-19, que este vírus é muito menos contagioso e representa pouco risco para a população em geral.
“Isto não é covid e não queremos tratá-lo como covid”, disse o director interino do CDC dos EUA, Jay Bhattacharya, em entrevista à CNN no domingo, dia 10, acrescentando que os 17 passageiros americanos do navio teriam a opção de se isolar em casa ou numa instalação no Nebraska.
O Ministério da Saúde de Espanha também minimizou o risco para a população em geral, acrescentando que não foram detectados roedores a bordo do navio.

























































