A industrialização continua a ser uma das maiores ambições económicas de África, mas uma nova avaliação continental sugere que apenas um pequeno grupo de países está estruturalmente preparado para competir em larga escala.
O relatório Índice Real Economic Development (RED) 2025 sobre desenvolvimento industrial foi divulgado e revelou que, dos 54 países africanos, apenas quatro possuem estruturas capazes de responder às exigências da industrialização em grande escala.
O RED é um relatório anual publicado pelo Business Council for Africa. A edição mais recente, centrada em África, foi divulgada a 6 de Maio.
Os quatro países identificados no relatório como estando na trajectória certa para sustentar o crescimento industrial são Marrocos, o Egipto, a África do Sul e as Maurícias.
Apesar de a Nigéria ser o país mais populoso de África e ocupar a terceira posição do continente em Produto Interno Bruto (PIB), atrás da África do Sul e do Egipto, não integra o grupo dos quatro primeiros. Embora o relatório reconheça que o país está a fazer progressos, descreve a sua trajectória industrial como incompleta. O mesmo se aplica ao Ruanda.
Obstáculos à industrialização africana
As conclusões revelam que a maioria dos países africanos enfrentará dificuldades para alcançar a estrutura necessária à industrialização em grande escala. Grande parte das nações africanas foi classificada como estagnada ou vulnerável.
O estudo sublinha que, embora vários países africanos tenham a ambição de integrar o grupo das economias industrializadas, persistem fortes limitações estruturais profundamente enraizadas.
O Índice RED avalia o potencial de industrialização dos países com base em três pilares principais, divididos em 13 factores.
Estas três dimensões críticas da industrialização são: motores (engines), que representam os requisitos fundamentais para a industrialização; aceleradores (accelerators), que determinam a velocidade das transformações económicas; e desaceleradores (decelerators), que correspondem a desafios crónicos como insegurança e corrupção.
Em reacção ao relatório, Arnold Ekpe, presidente do Business Council for Africa e antigo director-executivo do Ecobank, afirmou ao jornal The Guardian que “isto não é apenas um índice, mas um apelo à acção para que decisores políticos, investidores e empresas africanas assumam o controlo do futuro industrial de África”.
Ekpe reforçou ainda a necessidade de transformação, afirmando que os líderes africanos devem “comprometer-se com as alterações estruturais necessárias para garantir um crescimento sustentável”.
Fonte: Business Insider Africa



























































