A escassez de combustíveis em Moçambique está a impulsionar a procura por gás natural veicular, sobretudo entre operadores de transporte público e privado que procuram reduzir custos e manter a actividade operacional face às dificuldades de abastecimento de gasolina e gasóleo no País.
De acordo com a Lusa, o aumento do interesse pela conversão de viaturas é confirmado pela empresa Autogás, especializada neste serviço, que refere uma subida significativa nos pedidos de informação, cotações e pré-inspecções técnicas desde o agravamento da crise de combustíveis e da recente actualização dos preços.
“Estamos a sentir uma crescente procura das conversões de viaturas, mas que se limita, essencialmente, a pedidos de cotação e a aproximações para perceber melhor como funciona o processo”, explicou o director-executivo da Autogás, João das Neves.
A crise nos postos de abastecimento, marcada por longas filas e encerramentos temporários em vários pontos de Maputo, está a levar muitos automobilistas a procurarem alternativas mais acessíveis e disponíveis. No posto de abastecimento de gás no bairro de Malhangalene, o cenário difere dos postos tradicionais, com abastecimento contínuo e sem congestionamentos prolongados.
Actualmente, o sistema instalado tem capacidade para abastecer cerca de 10 mil viaturas, embora pouco mais de quatro mil utilizem efectivamente gás natural no País, maioritariamente na cidade e província de Maputo.
Os transportadores públicos lideram a adesão à conversão para gás natural, motivados pela redução significativa dos custos operacionais. Feliciano Moiane, operador de um “chapa” na rota Boquisso–Baixa, afirma que conseguiu reduzir quase para metade os custos diários de combustível.
“Quando usava diesel gastava cerca de 3500 meticais por dia. Agora gasto aproximadamente 2000 meticais com gás, fazendo as mesmas voltas”, relatou.
Além da poupança, os operadores destacam a maior previsibilidade no abastecimento, evitando horas em filas à procura de combustível. Vasco Magaia, que utiliza gás natural há três anos, considera a alternativa mais eficiente para garantir o funcionamento diário da viatura. “Com 410 ou 420 meticais consigo trabalhar praticamente o dia todo. Com gasolina não teria o mesmo rendimento”, explicou.
Apesar do crescimento da procura, João das Neves reconhece que o sector ainda enfrenta limitações estruturais. O custo da conversão varia entre 50 mil e 130 mil meticais, dependendo do tipo de viatura e da capacidade das botijas instaladas, num processo que pode demorar até três dias.
O responsável defende que o gás natural veicular pode desempenhar um papel estratégico na mitigação de futuras crises energéticas, desde que exista maior coordenação entre o Estado e o sector privado para expansão da rede de abastecimento.
A Autogás dispõe actualmente de oito postos de abastecimento na zona sul do País e prevê expandir gradualmente a rede para as províncias de Gaza e Inhambane. O plano de expansão contempla até 70 postos numa fase mais avançada.
Moçambique possui algumas das maiores reservas africanas de gás natural, localizadas na bacia do Rovuma, no norte do País, recurso que especialistas apontam como estratégico para reforçar soluções energéticas alternativas no sector dos transportes.


























































