A circulação de supostos grupos terroristas em zonas de produção agrícola do distrito de Macomia, na província de Cabo Delgado, está a aumentar o receio entre as comunidades locais, que temem perder as colheitas da segunda época agrícola e enfrentar uma nova crise alimentar.
De acordo com a Lusa, os movimentos dos insurgentes têm sido registados desde o início de Maio nas localidades de Litandacua, Novo Cabo Delgado e Chitoio, áreas situadas nas margens do rio Messalo, onde decorrem actividades agrícolas intensivas.
“Os terroristas estão a circular nas zonas onde estamos a fazer machambas e isso coloca a produção em risco”, afirmou uma fonte local a partir de Macomia.
A presença dos grupos armados está a causar receio entre os agricultores, levando alguns produtores a abandonar temporariamente as suas machambas por medo de ataques. “É uma situação preocupante porque a fome pode afectar-nos. As pessoas já têm medo de continuar a trabalhar nos campos”, relatou outra fonte da região.
Apesar de ainda não terem sido registadas mortes entre os camponeses, os residentes consideram que a permanência dos insurgentes nas áreas agrícolas representa uma ameaça directa à segurança das comunidades. “Ninguém morreu até agora, mas esses homens são perigosos e não conseguimos conviver com eles”, acrescentou um morador.
Os ataques mais recentes em Macomia começaram nas comunidades de Nkoé e Nguida, no centro da província de Cabo Delgado, uma região que continua a enfrentar a insurgência armada iniciada em Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
Dados divulgados pela organização Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) indicam que, nas últimas duas semanas, foram registados 15 incidentes violentos em Cabo Delgado, sete dos quais envolvendo elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), provocando 15 mortos.
De acordo com o mais recente relatório da organização, entre 20 de Abril e 3 de Maio foram contabilizados 2371 episódios violentos desde o início da insurgência, dos quais 2191 envolveram grupos ligados ao EIM. O balanço acumulado aponta para 6542 mortos desde 2017.
O relatório refere ainda confrontos entre insurgentes e forças moçambicanas e ruandesas nos distritos de Nangade e Mocímboa da Praia, dos quais resultaram, alegadamente, pelo menos sete soldados moçambicanos mortos e a apreensão de armamento pelos extremistas.
No sul da província, grupos armados terão igualmente ocupado áreas de mineração artesanal de ouro, incendiando infra-estruturas, incluindo uma igreja católica, situação que provocou novos deslocamentos populacionais.
Entretanto, elementos associados ao Estado Islâmico reivindicaram recentemente ataques no distrito de Ancuabe, incluindo a destruição de uma igreja, lojas pertencentes a cristãos e cerca de 220 habitações.


























































