O Governo, reunido em sessão do Conselho de Ministros, anunciou nesta quarta-feira, 6 de Maio, o ajuste dos preços dos combustíveis, justificando a revisão como estando em consonância com os valores praticados nos mercados internacionais. Em termos concretos, o gasóleo aumentou 45,5% passando a custar 116,25 meticais. A gasolina subiu 12,1% para 93,69 meticais.
“Há mais de dois meses que o Governo tem estado a acompanhar com atenção a evolução do conflito no Médio Oriente e, como é do conhecimento geral, este conflito desencadeou a subida de preços de combustíveis a nível internacional e no continente africano. Na região Austral de África, em particular, tem-se verificado uma subida generalizada”, argumentou o PCA da Autoridade Reguladora de Energia (Arene), Paulo da Graça.
Os novos preços entram em vigor a partir de hoje, quinta-feira, 7 de Maio. De acordo com o responsável, “o litro de gasolina sobe para 93,69 meticais, quando antes custava 83,57 meticais, e o gasóleo sobe de 79,88 meticais para 116, 25 meticais. Já o petróleo de iluminação aumenta de 66,86 meticais para 97,56 meticais por litro, o gás de cozinha passará de 86,05 meticais para 87,82 meticais por quilograma e o gás natural veicular de 41,11 meticais para 52,73 meticais por litro”.
Segundo Paulo da Graça, a actualização dos preços de combustíveis estava prevista para ocorrer entre o final do mês de Abril e o início do mês de Maio, tendo em conta o preço praticado a nível do mercado internacional, referindo que desde o início do mês passado, Moçambique tem recebido estes produtos com novos preços praticados internacionalmente.
O País enfrenta há várias semanas dificuldades no abastecimento de combustíveis, com postos encerrados por todo o território e filas generalizadas, bem como limites na compra de gasóleo ou gasolina e redução na oferta de transportes.

A primeira-ministra, Benvinda Levi, já tinha avisado nesta terça-feira, 5 de Maio, que o Governo iria avançar com um ajuste gradual dos preços dos combustíveis face à continuação da guerra no Médio Oriente, pedindo para não se propagarem mensagens geradoras de pânico na sociedade.
“Moçambique, sendo um país importador líquido de combustíveis, e tendo em conta esta conjuntura internacional, é inevitável que faça o ajustamento gradual dos preços destes produtos a nível nacional”, alertou a governante durante a sessão de perguntas e respostas no Parlamento.
“Trata-se de um fundo que tem vindo a ser utilizado à medida que ocorrem crises desta natureza, e nós já tivemos o conflito Rússia-Ucrânia que determinou que o nosso país fizesse uso das verbas em resultado do incremento bastante significativo do preço dos combustíveis. Neste momento, os recursos correm em torno de 5,2 milhões de euros”, declarou.
O Executivo admitiu ainda possibilidade de efectuar uma revisão orçamental “em caso extremo”, se a guerra no Médio Oriente se intensificar ao ponto de provocar a subida generalizada dos preços do petróleo.
“No cenário mais extremo e adverso, poderá, sim, ser necessária uma revisão orçamental. O impacto da guerra faz-se sentir na economia, através da inflação importada e do aumento dos preços dos combustíveis, que podem provocar uma subida dos bens alimentares essenciais. O conflito pode ainda determinar um agravamento da despesa pública, não tanto em termos quantitativos, mas em termos de valor”, explicou.
Os Estados Unidos da América e Israel lançaram, a 28 de Fevereiro, um ataque militar contra o Irão, tendo morto, durante a ofensiva, o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. Em resposta, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas em países da região.
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializado por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.


























































