O governador do Banco de Reserva da África do Sul, Lesetja Kganyago, afirmou, nesta quarta-feira (6), que os decisores de política monetária precisam de manter todas as opções em aberto em relação às taxas de juro, uma vez que choques geopolíticos estão a obscurecer as perspectivas económicas e as expectativas de inflação continuam acima da meta.
Kganyago referiu que, embora a inflação ainda não esteja ancorada na meta de 3% do banco central, tem vindo a descer, enquanto a dívida parece estar a estabilizar e o crescimento económico tem sido ligeiramente mais forte.
A inflação anual da África do Sul subiu ligeiramente para 3,1% em Abril, face a 3,0% em Março, à medida que os efeitos da guerra entre os Estados Unidos da América (EUA) e Israel contra o Irão — que têm pressionado os preços internos do petróleo — começaram a reflectir-se na economia.
A maior economia de África é importadora líquida de petróleo, o que a torna altamente vulnerável às oscilações dos preços internacionais. Muitos economistas esperam que a inflação suba os 4% nos próximos meses.
Falando numa conferência de investimentos na província do Noroeste, Kganyago afirmou que os choques de oferta decorrentes do conflito podem elevar ainda mais a inflação interna e prejudicar a produção, acrescentando que o regresso da inflação à meta após tais choques poderá exigir decisões atempadas sobre as taxas de juro.
“Não é desejável colocar a economia sob mais pressão, mas precisamos de manter as nossas opções em aberto”, apontou.
Kganyago acrescentou que o risco geopolítico é actualmente mais relevante do que em qualquer outro momento da sua carreira, com choques provocados por conflitos a elevar os preços dos alimentos e dos combustíveis.
“O Comité de Política Monetária do Banco de Reserva da África do Sul manteve a sua taxa de juro directora em 6,75% nas duas últimas reuniões. A próxima reunião terá lugar a 28 de Maio”
O responsável afirmou ainda que a taxa de juro de política monetária não consegue influenciar os preços globais do petróleo, mas que o banco central pode gerir as expectativas de inflação através de comunicação clara e, se necessário, através de alterações nas taxas.
“O sucesso não está em evitar agora uma inflação mais elevada, mas em regressar à meta depois de o choque passar”, afirmou Kganyago, referindo também que o rand tem resistido bem este ano, apesar do conflito no Médio Oriente, recuperando rapidamente após uma queda inicial e negociando, na sua maioria, em níveis mais fortes do que em 2025.
O Comité de Política Monetária do Banco de Reserva da África do Sul manteve a sua taxa de juro directora em 6,75% nas duas últimas reuniões. A próxima reunião terá lugar a 28 de Maio.
Fonte: Reuters

























































