A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a confirmação de cinco casos de hantavírus associados ao surto registado num navio de cruzeiro, alertando que o número de infecções poderá aumentar devido ao período de incubação do vírus Andes, que pode estender-se até seis semanas.
Até agora, oito pessoas foram sinalizadas como casos de possível infecção, “três das quais morreram e cinco destes oito casos foram confirmados como hantavírus, enquanto três outros são considerados suspeitos”, declarou o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
O vírus Andes é um tipo de hantavírus nativo da América do Sul, sendo a causa mais comum da síndrome pulmonar na região. Esta é a única estirpe para a qual foi documentada a transmissão de pessoa para pessoa.
O responsável da OMS adiantou ter já informado os 12 países cujos cidadãos desembarcaram em Santa Helena durante uma escala no dia 24 de Abril, apontando o Canadá, a Dinamarca, a Alemanha, os Países Baixos, a Nova Zelândia, São Cristóvão e Névis, Singapura, a Suécia, a Suíça, a Turquia, o Reino Unido e os Estados Unidos da América (EUA).
O director-geral da organização afirmou ainda que espera que os habitantes das ilhas espanholas das Canárias “compreendam, apoiem e cooperem”, mesmo estando preocupados com os riscos representados pela chegada do navio onde foi reportado o surto, prevista para o próximo fim-de-semana.
Entretanto, a Argentina está a refazer os passos do paciente zero deste surto de hantavírus, um vírus raro para o qual não existe tratamento nem vacina.
O cruzeiro onde foram registados os casos e as mortes saiu de Ushuaia, na Patagónia, a 1 de Abril, com destino a Cabo Verde, pelo que os investigadores querem determinar se o contágio aconteceu em terra — na Argentina, no Chile ou no Uruguai — através de roedores, ou já a bordo.
O primeiro passageiro a apresentar sintomas (febre, dor de cabeça e diarreia ligeira) foi um neerlandês de 70 anos que adoeceu a 6 de Abril e é considerado o paciente zero. O homem morreu a bordo do navio no dia 11 de Abril.
Treze dias depois, o seu corpo foi desembarcado em Santa Helena (ilha remota no Atlântico Sul que faz parte do território britânico), juntamente com o da sua mulher, uma neerlandesa de 69 anos.
A mulher também apresentou sintomas, mas voou para Joanesburgo, na África do Sul, a 25 de Abril, onde ia embarcar num voo para os Países Baixos. Morreu no dia seguinte e a sua infecção por hantavírus foi confirmada a 4 de Maio.
Segundo a empresa de navegação, um total de 30 passageiros, incluindo o corpo do paciente zero, desembarcou do navio de cruzeiro em Santa Helena.
Entretanto, a 2 de Maio, um cidadão alemão morreu a bordo após ter apresentado os primeiros sintomas a 28 de Abril, e um outro passageiro suíço, que também desembarcou em Santa Helena, foi hospitalizado em Zurique e testou positivo ao hantavírus.
“O vírus Andes é um tipo de hantavírus nativo da América do Sul, sendo a causa mais comum da síndrome pulmonar na região. Esta é a única estirpe para a qual foi documentada a transmissão de pessoa para pessoa.“
Mais três casos suspeitos foram desembarcados na quarta-feira do navio MV Hondius em Cabo Verde – dois tripulantes britânicos e holandeses que estavam doentes e um caso de contacto assintomático – e transferidos por voos médicos que partiram da cidade da Praia.
Os hantavírus são transmitidos aos humanos através de roedores selvagens infectados que excretam o vírus na saliva, urina e fezes.
Uma mordedura, o contacto com estes roedores ou com os seus excrementos, bem como a inalação de poeiras contaminadas, podem levar à infecção, que pode causar síndrome respiratória aguda.
Segundo disse o director-geral da OMS na quarta-feira, “neste momento, o risco global para a saúde pública continua a ser baixo”.
Fonte: Lusa


























































