Cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, desenvolveram um método capaz de converter resíduos plásticos em combustíveis através da luz solar. A iniciativa visa enfrentar simultaneamente os problemas da poluição e da dependência de energia fóssil.
A tecnologia demonstra como sistemas alimentados por energia solar podem transformar plásticos descartados em hidrogénio, gás de síntese e outros produtos químicos com valor industrial. A abordagem baseia-se num processo designado por fotorreforma, que utiliza materiais sensíveis à luz, conhecidos como fotocatalisadores, para decompor plásticos a temperaturas relativamente baixas.
“Se conseguirmos converter, de forma eficiente, os resíduos plásticos em combustíveis limpos utilizando a luz solar, poderemos dar resposta simultânea aos desafios da poluição e da energia”, explicou Xiao Lu, líder da iniciativa.
Segundo o portal ZAP, o método surge num contexto em que o mundo produz mais de 500 milhões de toneladas de plástico por ano, grande parte das quais acaba no ambiente, ao mesmo tempo que cresce a procura por alternativas energéticas mais limpas.
Além disso, o processo permite gerar hidrogénio, considerado um combustível limpo por não emitir poluentes no ponto de utilização, bem como subprodutos como ácido acético e hidrocarbonetos semelhantes ao diesel. De acordo com os cientistas, em comparação com a produção convencional de hidrogénio por dissociação da água, esta abordagem requer menos energia, uma vez que os plásticos são mais fáceis de oxidar, uma vantagem que poderá facilitar a sua aplicação em larga escala.
Nos testes realizados, a tecnologia apresentou avanços relevantes em termos de eficiência e estabilidade, com alguns sistemas a funcionar continuamente durante mais de 100 horas. Ainda assim, persistem desafios significativos, como a complexidade dos resíduos plásticos, que exige triagem e pré-tratamento, e a necessidade de desenvolver fotocatalisadores mais duráveis e eficientes.
Outro obstáculo reside na separação dos produtos finais, uma vez que o processo gera misturas de gases e líquidos que requerem purificação intensiva, o que pode comprometer a eficiência energética global. Para ultrapassar estas limitações, os investigadores defendem “uma abordagem integrada que combine melhorias na engenharia dos reactores, no desenho dos catalisadores e na optimização do sistema.”





















































