A primeira-ministra, Benvinda Levi, voltou a avisar nesta terça-feira, 5 de Maio, que o Governo vai avançar com um ajuste gradual dos preços dos combustíveis face à continuação da guerra no Médio Oriente, pedindo que não se propaguem mensagens que geram pânico na sociedade.
“Moçambique, sendo um país importador líquido de combustíveis e tendo em conta esta conjuntura internacional, é inevitável que faça o ajustamento gradual dos preços destes produtos a nível nacional”, alertou a governante durante a sessão de perguntas e respostas no Parlamento.
O Governo lembrou que os preços vão continuar a subir a nível global, afectando o país, e que serão aplicadas medidas multissectoriais para minimizar os possíveis impactos.
“Reiteramos o nosso apelo no sentido de todos continuarmos a acompanhar com serenidade a evolução da situação e abstermo-nos de propagar mensagens que possam gerar pânico na sociedade”, disse.
Recentemente, o Governo recomendou a racionalização do consumo de combustíveis e admitiu uma actualização em alta dos preços já no próximo mês de Maio, numa altura em que aumentam as filas nos postos de abastecimento, se agrava a pressão sobre a distribuição e cresce a percepção de instabilidade no mercado.
Em comunicado, o Executivo procurou transmitir uma mensagem dupla: por um lado, assegura que o País continua a dispor de combustíveis; por outro, reconhece que a próxima reposição de preços deverá incorporar custos de importação mais elevados, associados a compras feitas num período de subida das cotações internacionais. Pelo meio, apela a uma mudança de comportamento por parte de cidadãos e empresas, defendendo o recurso a transportes públicos, a contenção no consumo e, sempre que possível, o teletrabalho.

“Trata-se de um fundo que tem vindo a ser utilizado à medida que ocorrem crises desta natureza, e nós já tivemos o conflito Rússia-Ucrânia que determinou que o nosso país fizesse uso das verbas em resultado do incremento bastante significativo do preço dos combustíveis. Neste momento, os recursos correm em torno de 5,2 milhões de euros”, declarou.
O Executivo admitiu a possibilidade de efectuar uma revisão orçamental “em caso extremo”, se a guerra no Médio Oriente se intensificar ao ponto de provocar a subida generalizada dos preços do petróleo.
“No cenário mais extremo e adverso, poderá, sim, ser necessária uma revisão orçamental. O impacto da guerra faz-se sentir na economia, através da inflação importada e do aumento dos preços dos combustíveis, que podem provocar uma subida dos bens alimentares essenciais. O conflito pode ainda determinar um agravamento da despesa pública, não tanto em termos quantitativos, mas em termos de valor”, explicou.
Os Estados Unidos da América e Israel lançaram, a 28 de Fevereiro, um ataque militar contra o Irão, tendo morto, durante a ofensiva, o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. Em resposta, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas em países da região.
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializado por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.























































