O Governo informou nesta terça-feira, 5 de Maio, que pondera subsidiar o transporte público de passageiros para evitar impactos da crise de combustíveis na população, admitindo que a falta de divisas limita importações destes produtos em pouco tempo.
“O Executivo pretende utilizar mecanismos de estabilização financeira como subsídios ou compensações aos operadores para evitar aumentos de grande vulto para as famílias. Esta abordagem garante que a população mais vulnerável mantenha acesso ao transporte e a produtos essenciais sem sofrer grande impacto imediato desta crise de abastecimento”, afirmou o ministro da Economia, Basílio Muhate.
Intervindo no Parlamento durante a sessão de perguntas e respostas aos deputados, o governante avançou que será accionado o plano de recuperação económica 2025-29 para evitar maiores impactos na economia nacional e na vida das populações face à crise de produtos petrolíferos.
“Iremos aperfeiçoar a gestão dos stocks estratégicos de combustíveis, o aumento da capacidade de armazenamento e a diversificação de fornecedores. Estas medidas visam minimizar riscos de escassez, especulação e ruptura no mercado, garantindo que o abastecimento seja regular e resiliente”, destacou.
O ministro da Economia disse que estas medidas serão tomadas porque o aumento dos preços dos combustíveis pressiona a inflação, reduzindo o poder de compra das famílias, com o Executivo a pretender evitar estes cenários.

O ministro da Economia, Basílio Muhate, admitiu que, em Maputo, se verifica uma afluência “anormal” aos postos de combustíveis, sobretudo devido à escassez de gasóleo. Segundo o governante, as vendas quase duplicaram, num contexto em que os preços praticados no país são mais baixos do que na região, incentivando o aumento do consumo.
“A logística de distribuição não está preparada para abastecer as bombas diariamente. Os navios estão a descarregar, mas a disponibilidade de divisas também limita a importação para períodos reduzidos”, explicou Muhate citado pela Lusa.
A escassez de combustíveis em Moçambique está a provocar constrangimentos significativos no sector dos transportes públicos, com impacto directo na mobilidade urbana e no custo de vida. A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) reconheceu a “crise”, denunciando dificuldades operacionais que se arrastam há semanas e alertando para um possível agravamento das tarifas.
“Estamos há três semanas a trabalhar com muitas dificuldades por falta de combustível. Para nós, enquanto associação, é claro que estamos perante uma crise”, declarou Castigo Nhamane, presidente da FEMATRO, em declarações ao Diário Económico.
De acordo com presidente da FEMATRO, na Área Metropolitana do Grande Maputo, existem cerca de quatro mil viaturas, entre minibuses e autocarros, que dependem maioritariamente de gasóleo. A escassez deste combustível tem limitado a circulação.
“Vemos postos com gasolina, mas sem gasóleo. O transporte de passageiros e mercadorias é feito maioritariamente com viaturas a gasóleo, pelo que esta situação afecta toda a cadeia económica”, acrescentou.

“Trata-se de um fundo que tem vindo a ser mobilizado em situações de crise desta natureza. Já foi utilizado, por exemplo, no contexto do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que levou a um aumento significativo dos preços dos combustíveis. Actualmente, os recursos disponíveis rondam os 5,2 milhões de euros”, declarou.
O Executivo admitiu ainda a possibilidade de proceder a uma revisão orçamental “em cenário extremo”, caso a escalada do conflito no Médio Oriente provoque uma subida generalizada dos preços do petróleo.
“No cenário mais adverso, poderá, de facto, ser necessária uma revisão orçamental. O impacto da guerra reflecte-se na economia através da inflação importada e do aumento dos preços dos combustíveis, com efeitos indirectos sobre os bens alimentares essenciais. O conflito pode também agravar a despesa pública, não necessariamente em termos de volume, mas em termos de valor”, explicou.
Os Estados Unidos da América e Israel lançaram, a 28 de Fevereiro, uma ofensiva militar contra o Irão, durante a qual foi morto o líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Em resposta, Teerão anunciou o encerramento do Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas na região.
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é uma das principais artérias energéticas do mundo, por onde transita cerca de 20% do petróleo global, além de uma parcela significativa do gás natural liquefeito transportado por via marítima, segundo dados da U.S. Energy Information Administration e das Nações Unidas.























































