O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, afirmou que Moçambique deve reinventar-se e aumentar o nível de produção local para travar a escassez e responder aos possíveis impactos negativos impostos pela xenofobia que acontece na África do Sul.
A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando migrantes, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, Este do país.
De acordo com os dados, Moçambique compra no mercado sul-africano veículos e equipamentos de transporte, que representam 20% do total das importações, seguidos de alimentos processados, equipamentos eléctricos, maquinaria agrícola e de construção, produtos químicos e medicamentos genéricos.
Falando durante o programa “Cartas na Mesa” da Rádio Moçambique, o governante apelou a uma maior coordenação entre as empresas e os produtores nacionais, frisando que a instabilidade que acontece no país vizinho deve despertar o sentido patriótico, de modo a reduzir a dependência externa.
“Temos de continuar a produzir alimentos, pois estamos perante choques que têm impacto imediato. Temos capacidade e vontade de fazer de Moçambique um país auto-suficiente e soberano no que diz respeito à alimentação”, vincou.
Na semana passada, migrantes africanos em Pretória foram alertados para manter “elevada vigilância” durante uma marcha contra a imigração ilegal, devido a receios de possíveis episódios de violência xenófoba.
A África do Sul acolhe cerca de 2,4 milhões de migrantes, pouco menos de 4% da população, segundo dados oficiais. A maioria provém de países vizinhos como o Lesoto, o Zimbabué e Moçambique, que têm uma longa história de fornecimento de mão-de-obra migrante ao seu vizinho mais próspero.
Em declarações transmitidas pelo seu porta-voz, Stéphane Dujarric, na segunda-feira, recordou aos sul-africanos que a sua luta contra o apartheid foi “sustentada pela solidariedade internacional e africana.”
O secretário‑geral das Nações Unidas manifestou preocupação com relatos de “ataques xenófobos e actos de assédio e intimidação”, alertando que “a violência, o vigilantismo e todas as formas de incitamento ao ódio não têm lugar numa sociedade inclusiva e democrática.”






















































