As transacções cambiais entre a banca comercial e os seus clientes atingiram cerca de 3,5 mil milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, mantendo-se em linha com a média dos últimos cinco anos, apesar do actual contexto de escassez de divisas na economia moçambicana.
De acordo com a Lusa, a informação foi avançada esta terça-feira (5), no Parlamento, pela ministra das Finanças, Carla Loveira, ao responder a questões dos deputados sobre as medidas adoptadas pelo Governo para mitigar a limitada disponibilidade de moeda estrangeira no mercado.
Segundo a governante, o volume registado no período em análise acompanha a média de aproximadamente 3,3 mil milhões de dólares observada em igual período dos últimos anos, reflectindo o impacto das políticas monetárias e fiscais implementadas desde 2025 para estabilizar o mercado cambial. Ainda assim, Carla Loveira reconheceu que o País enfrenta um quadro desafiante em termos de disponibilidade de divisas, sublinhando a necessidade de reforçar a capacidade de geração de receitas externas através do aumento das exportações de bens e serviços.
Entre os factores que pressionam a liquidez em moeda estrangeira, a ministra destacou os efeitos das manifestações pós-eleitorais de 2024 e a evolução da arquitectura financeira internacional, cada vez mais orientada para instrumentos como parcerias público-privadas, em detrimento do apoio directo ao Orçamento do Estado.
“Estas razões em conjunto contribuem para o quadro desafiante de disponibilidade de divisas no território moçambicano. Não obstante os desafios elencados, o Governo encontra-se a implementar medidas para reverter esta situação e flexibilizar a sua repassagem para o mercado”, afirmou.
No plano das medidas adoptadas, o Executivo avançou com ajustamentos de política monetária, incluindo a redução do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda estrangeira em 10 pontos percentuais, de 39,5% para 29,5%, com o objectivo de aumentar a liquidez no sistema financeiro.
Adicionalmente, foi reforçada a obrigatoriedade de conversão de receitas externas, com o aumento da taxa mínima de conversão de exportações de 30% para 50%, bem como a imposição, desde 2025, do repatriamento e conversão integral das receitas provenientes da reexportação de produtos petrolíferos.
No domínio fiscal, o Governo tem vindo a articular-se com o sistema financeiro nacional para assegurar a alocação prioritária de divisas ao pagamento de importações consideradas essenciais, como combustíveis, produtos alimentares e medicamentos, garantindo o funcionamento dos sectores críticos da economia. Paralelamente, está em curso o reforço da cooperação internacional com vista a acelerar os desembolsos de financiamento externo para o Orçamento do Estado, numa tentativa de aliviar as restrições de liquidez externa.


























































