A crise no abastecimento de combustíveis está a emergir como um dos principais factores de risco para a participação empresarial na 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), agendada para decorrer entre 31 de Agosto e 7 de Setembro, no município de Marracuene, província de Maputo.
De acordo com a Lusa, o alerta foi lançado pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique, que reconhece um contexto macroeconómico particularmente exigente, marcado por restrições no acesso a divisas, limitações no financiamento, aumento dos custos operacionais e constrangimentos no fornecimento de combustíveis.
“O contexto macroeconómico permanece exigente, caracterizado por constrangimentos no acesso a divisas, limitações no financiamento, custos operacionais elevados e desafios pontuais no abastecimento de combustíveis. Estes factores podem influenciar de forma diferenciada a capacidade de participação e o nível de investimento das empresas”, afirmou o vice-presidente da CTA, Amâncio Gume, durante a apresentação dos preparativos do evento, em Maputo.
Apesar das dificuldades, a organização mantém uma perspectiva optimista quanto ao nível de adesão. Segundo Amâncio Gume, as empresas deverão adoptar uma postura mais selectiva e orientada para resultados concretos, privilegiando oportunidades efectivas de negócio, nomeadamente através de plataformas estruturadas de encontros empresariais e do acesso a novos mercados.
A actual crise de combustíveis, que se arrasta há várias semanas, tem provocado o encerramento de postos de abastecimento em diferentes pontos do país, longas filas e limitações na aquisição de gasolina e gasóleo. A situação tem igualmente resultado na redução da oferta de transportes, num contexto influenciado por tensões geopolíticas no Médio Oriente.
Perante este cenário, o Governo assegura estar a preparar medidas para mitigar o impacto logístico durante a realização da FACIM. O representante do Ministério da Economia para a FACIM, Alfredo Nampuio, indicou que será implementado um sistema de transporte público dedicado ao evento, com o objectivo de garantir a mobilidade dos participantes.
“Vamos focar-nos em transportes públicos de forma organizada, exclusivamente para a FACIM. Assim, teremos um maior número de pessoas a deslocar-se à feira com melhores condições de mobilidade. Serão criadas paragens estratégicas, com pequenos parques de estacionamento nas proximidades. Desta forma, esperamos reduzir significativamente os constrangimentos decorrentes da falta de combustível”, explicou.
A edição de 2026 da FACIM, subordinada ao tema “Transformação Digital e Energética”, deverá contar com a participação de cerca de 30 países e uma afluência estimada em 55.000 visitantes, além da assinatura de acordos empresariais. O evento pretende reforçar as parcerias público-privadas, com enfoque nos sectores da energia, agro-indústria e indústria transformadora.
O ministro da Economia, Basílio Muhate, sublinhou, na ocasião, a necessidade de maior articulação entre os sectores público e privado, defendendo que ambos “devem andar de mãos dadas rumo a um novo paradigma de desenvolvimento mútuo e económico”, posicionando a FACIM como uma plataforma estratégica para dinamizar negócios na África Austral.
Com o Brasil como país convidado de honra e a província do Niassa em destaque, a organização prevê ainda a presença de 6500 expositores, incluindo empresas estrangeiras e marcas nacionais.

























































