Os governos africanos têm, há muito, recorrido a subsídios e incentivos a startups para impulsionar a inovação, mas uma nova investigação sugere que estas medidas, por si só, não são suficientes.
O que realmente determina o progresso económico de longo prazo é a força, estabilidade e previsibilidade do ambiente geral de negócios de um país. Esta é a principal conclusão do Índice do Ambiente de Negócios para Inovadores 2026 (IBEI), divulgado pela StartupBlink.
O relatório avalia mais de 125 países com base em mais de 30 indicadores, medindo até que ponto os sistemas nacionais são acessíveis e eficientes para os empreendedores.
Ao contrário de classificações económicas mais abrangentes, o índice foca-se especificamente nas condições que importam para os fundadores, incluindo regulamentação, acesso a capital, tributação, infra-estrutura digital e mobilidade global.
Os países são classificados numa escala de 0 a 100, com base no apoio institucional e na facilidade operacional.
À medida que os mesmos competem por investimento e talento, o relatório deixa claro que a redução de barreiras estruturais, e não apenas a oferta de incentivos específicos, é o factor determinante para o potencial de inovação.

No continente, a África do Sul ocupa a 61.ª posição a nível global, sendo o país com melhor ambiente de negócios. Seguem-se o Quénia (68.º) e Cabo Verde (70.º).
Embora nenhuma economia africana figure entre as 50 melhores do mundo, as classificações evidenciam progressos em reformas que começam a criar sistemas regulatórios mais previsíveis, melhor acesso ao capital e maior conectividade internacional.
O relatório defende que os ecossistemas de inovação prosperam não devido a injecções pontuais de financiamento, mas sim por fundamentos sistémicos sólidos, regulamentação transparente, governação eficiente, regimes fiscais equilibrados e infra-estruturas digitais funcionais.
Como funciona o índice
O IBEI está estruturado em três pilares principais:
- Facilidade de operação de um negócio;
- Incentivos empresariais;
- Percepção do mercado.
Para aprofundar a análise, estes pilares são agrupados em cinco categorias funcionais: Regulamentação e Governação; Acesso ao Capital e Infra-estrutura Financeira; Tributação; Infra-estrutura Digital; e Mobilidade Global e Abertura.

Este enquadramento desloca o foco dos indicadores macroeconómicos gerais para as condições reais enfrentadas pelos empreendedores ao criar, expandir e encerrar empresas.
Líderes globais definem a referência
A nível global, os Estados Unidos ocupam a primeira posição, seguidos por Singapura e pelo Reino Unido.
A região do Golfo destaca-se pela competitividade fiscal, com os Emirados Árabes Unidos na quinta posição global e liderança em condições fiscais favoráveis. Por sua vez, a Arábia Saudita ocupa o primeiro lugar mundial em políticas que reduzem obstáculos operacionais.
Os países nórdicos lideram na infra-estrutura digital, enquanto economias mais pequenas, como a Estónia e a Nova Zelândia, demonstram que a dimensão do mercado não constitui um obstáculo à criação de ambientes de inovação altamente competitivos.
Porque é que isto importa para África?
À medida que os países competem por capital e talento global, o índice demonstra que a competitividade de longo prazo depende menos de intervenções pontuais e mais de reformas sistémicas.
Para os governos africanos, a mensagem é clara: reduzir a fricção regulatória, melhorar a infra-estrutura financeira e reforçar a credibilidade da governação terá um impacto maior na promoção da inovação do que programas isolados de financiamento.
Para a África do Sul, Quénia e Cabo Verde, as classificações indicam progressos, mas também evidenciam o caminho que ainda falta percorrer para posicionar África como um destino globalmente competitivo para empreendedores e investidores.
Fonte: Business Insider Africa

























































