A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), uma das maiores em África, comunicou a recuperação de 56% da capacidade de armazenamento de água, apesar dos desafios operacionais, admitindo agora uma produção “satisfatória para 2026”.
“As perspectivas para 2026 são encorajadoras, reflectindo a recuperação dos níveis de armazenamento de água na albufeira, actualmente situados em 56%”, avançou a empresa através de um relatório sobre o desempenho de 2025 e previsões para os próximos tempos.
No comunicado citado pela Lusa, a entidade avançou ainda que este nível de armazenamento “poderá viabilizar um aumento da produção para níveis superiores ao planificado, que foi de 11 716,76 gigawatt-hora (GWh), correspondendo a um crescimento superior a 7,29% em relação ao ano de 2025”.
“A empresa continuará focada na gestão prudente dos recursos, na eficiência operacional e na adopção de soluções tecnológicas que reforcem a fiabilidade do sistema energético”, refere ainda, acrescentando que o ano de 2025 ficou marcado por desafios operacionais decorrentes da redução contínua do armazenamento de água na albufeira de Cahora Bassa, que, no final da época chuvosa 2024-25, se situava em 26,01%.
A HCB é uma sociedade anónima de direito privado, detida em 85% pela estatal Companhia Eléctrica do Zambeze e em 7,5% pela portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN). A empresa possui 3,5% de acções próprias, enquanto os restantes 4% estão nas mãos de cidadãos, empresas e instituições moçambicanas.
A albufeira de Cahora Bassa é a quarta maior de África, com uma extensão máxima de 270 quilómetros em comprimento e 30 quilómetros entre margens, ocupando 2700 quilómetros quadrados e uma profundidade média de 26 metros. Conta com quase 800 trabalhadores e é uma das maiores produtoras de electricidade na região austral africana, abastecendo os países vizinhos.
Em 2025, a HCB alcançou receitas na ordem de 293,2 milhões de euros e um resultado líquido de 95,5 milhões de euros, reflectindo uma gestão prudente dos recursos hídricos e financeiros.
“No ano passado, a empresa contribuiu com cerca de 255,7 milhões de euros para o Estado moçambicano, por meio de impostos, taxas e dividendos, reforçando o seu papel como activo estratégico para a economia nacional e para a estabilidade energética do País”, disse o presidente do Conselho de Administração da HCB, Tomás Matola, citado na informação.
“A exportação de energia” pela HCB, acrescentou, “continuou a desempenhar um papel relevante na geração de divisas, contribuindo para a robustez da balança de pagamentos do País.”
Antes, em 2024, a HCB tinha registado lucros de 14,1 mil milhões de meticais (195,7 milhões de euros), o que representou um crescimento de quase 8,5% face a 2023, “sendo o maior da história” da empresa e o “corolário combinado” da produção total gerada no ano passado, de 15 753,52 GWh, “e do ajustamento da tarifa de venda de energia ao estrangeiro”, foi anunciado na altura.


























































