Um grupo de cientistas espanhóis desenvolveu uma membrana capaz de revolucionar a forma como o hidrogénio é purificado na indústria energética. A inovação permite aumentar até dez vezes a eficiência do processo e reduzir o tempo de produção de cerca de 72 horas para três horas.
A base desta tecnologia assenta na engenharia molecular aplicada à membrana, concebida para permitir a passagem selectiva do hidrogénio com mínima resistência. A nova abordagem recorre a materiais poliméricos avançados, que formam canais microscópicos e facilitam a passagem do hidrogénio, ao mesmo tempo que bloqueiam impurezas como o dióxido de carbono, garantindo um combustível com elevado grau de pureza, adequado a aplicações industriais e energéticas.
De acordo com o grupo, esta abordagem difere dos métodos tradicionais, que “são complexos, exigem temperaturas elevadas e operam sob pressões intensas, o que aumenta os custos e reduz a eficiência. Além disso, estes sistemas dependem de ciclos longos para assegurar a separação adequada dos gases, o que explica por que o processo pode demorar até três dias em algumas operações industriais”.
Outro diferencial reside na estrutura interna da membrana, concebida para evitar obstruções, um problema comum em sistemas convencionais que reduz a eficiência ao longo do tempo. Na prática, traduz-se em maior durabilidade e menos interrupções no processo produtivo. Paralelamente, o processo de fabrico da própria membrana foi também optimizado, sendo possível sintetizar o material em cerca de 180 minutos, um tempo significativamente inferior ao dos métodos anteriores.
Segundo os cientistas, entre os principais desafios actuais destacam-se o uso de metais dispendiosos, como o paládio, a necessidade de altas temperaturas para garantir eficiência, o desgaste acelerado dos materiais devido às condições extremas, o elevado consumo de energia e a geração de resíduos químicos nas etapas de limpeza. Estes factores tornam o hidrogénio menos acessível e dificultam a sua afirmação como fonte energética dominante.
Neste contexto, a membrana surge como uma alternativa promissora. “O ganho de eficiência impacta directamente a produtividade da indústria energética, permitindo ciclos mais curtos, maior continuidade operacional e a redução de constrangimentos na produção”, sublinhou o grupo, acrescentando que “a melhoria de desempenho, estimada em até dez vezes, possibilita uma melhor utilização dos recursos disponíveis, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência global das operações”.
Além disso, os cientistas indicam que a membrana pode ser integrada em diferentes segmentos da indústria energética. Um dos principais focos iniciais é o sector dos transportes pesados, incluindo camiões, navios e até aeronaves, que dependem de hidrogénio de elevada pureza para operar com segurança e eficiência.
Outras aplicações incluem o armazenamento de energia em larga escala, a integração com redes eléctricas inteligentes, a utilização em processos industriais que exigem hidrogénio puro e a expansão de infra-estruturas de energia limpa em centros urbanos. Com custos mais reduzidos e maior eficiência, prevê-se que o uso do hidrogénio cresça de forma consistente nos próximos anos.
Fonte: Click Petróleo e Gás
























































