A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, defendeu neste sábado (2), a união, solidariedade e respeito entre os povos africanos face aos ataques a imigrantes na África do Sul, que agridem a dignidade humana e integração regional, noticiou a Lusa.
“A Frelimo reafirma que a unidade africana está acima de tudo. A perseguição a estrangeiros na África do Sul agride os valores da dignidade humana e da integração regional”, lê-se numa informação divulgada na conta oficial do partido, na rede social Facebook.
A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando migrantes, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, este do país.
A formação política, no poder em Moçambique desde a independência, em 1975, afirma que os ataques xenófobos “são inaceitáveis” e devem ser condenados por todos os africanos, pois ferem os princípios de solidariedade e unidade do continente.
“A Frelimo condena firmemente os ataques xenófobos na África do Sul, defendendo o fim da violência contra estrangeiros e apelando à união, solidariedade e respeito entre os povos africanos, em nome da dignidade humana e da integração do continente”, refere ainda.
Aministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, considerou “bastante lamentável” a situação de ataques a imigrantes na África do Sul e espera que se resolva “muito rapidamente”.
“É uma situação lamentável, bastante lamentável e estamos todos muito tristes com o que temos estado a assistir”, disse Alane, citada pela comunicação social, garantindo que não há notícias oficiais de trabalhadores de Moçambique naquele país afectados.
Na quinta-feira (30), a embaixadora moçambicana na África do Sul, Maria Gustavo, pediu aos moçambicanos calma face à situação.
A responsável apelou aos moçambicanos que tenham sido vítimas da situação que contactem uma representação consular nacional próxima para “esclarecer o que terá acontecido”, que se distanciem das manifestações em curso e de locais de risco e que acompanhem as informações partilhadas pelos líderes comunitários naquele país ou comuniquem directamente à embaixada moçambicana, caso haja problemas.
Oposição pressiona por resposta diplomática e medidas urgentes
O Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), líder da oposição, pediu, no mesmo dia, acções conjuntas entre os Governos moçambicano e sul-africano, apontando falhas na acção consular e diplomática.
Na quarta-feira, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) criticou o silêncio do Executivo e propôs a criação de uma comissão parlamentar para abordar o problema com as autoridades sul-africanas.
Também na terça-feira, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) apelou a uma intervenção urgente junto do Governo sul-africano, manifestando preocupação com a segurança dos moçambicanos naquele país.
A África do Sul tem registado episódios recorrentes de violência xenófoba, com destaque para os incidentes de 2019, que causaram a morte de pelo menos 18 estrangeiros, segundo a Human Rights Watch.
























































