O 1.º de Maio foi assinalado nesta sexta-feira, na Guiné-Bissau, com a denúncia dos sindicatos de “dificuldades extremas” enfrentadas pelos trabalhadores e a promessa de melhorias laborais por parte do Presidente da República de Transição, Horta Inta-a, informou a Lusa.
O chefe de Estado em exercício falou ao país para assinalar o Dia do Trabalhador, com uma mensagem em que promete melhores condições laborais, mais oportunidades para os jovens, respeito pelos direitos e uma economia mais justa.
Os sindicatos assinalam a data num contexto que descrevem de “dificuldades extremas” para a classe trabalhadora e para a população em geral, com o aumento do custo de vida, salários em atraso e restrições às liberdades fundamentais.
Numa mensagem dirigida ao país e divulgada nos órgãos de comunicação social locais, o Presidente de Transição da Guiné-Bissau, Horta Inta-a, afirmou que “a força do país está no seu povo trabalhador”.
O general, que assumiu a Presidência desde o golpe militar de 26 de Novembro de 2025, saudou ou trabalhadores e destacou que o emprego “é mais do que um meio de subsistência, é um instrumento de transformação social e de afirmação da dignidade humana.”
Horta Inta-a assumiu como compromissos “melhores condições de trabalho, mais oportunidades para a juventude, respeito pelos direitos laborais e uma economia mais justa e inclusiva”.
“Do campo à cidade, do sector público ao privado, cada trabalhador é um agente essencial na edificação de uma nação mais justa, próspera e digna”, considerou, homenageando “homens e mulheres que, com dedicação, contribuem diariamente para o progresso económico e social da Guiné-Bissau”.
O Presidente de Transição desejou ainda um feliz 1.º de Maio a todos os trabalhadores guineenses, uma data festejada em todo o país.
Sindicatos denunciam crise social, atraso salarial e perda do poder de compra
Para os sindicatos, este Dia do Trabalhador surge num contexto de “dificuldades extremas” para a classe trabalhadora e para a população guineense em geral, com “um agravamento significativo das condições” devido “ao aumento do custo de vida, salários em atraso e restrições às liberdades fundamentais”.
A União Nacional dos Trabalhadores da Guiné — Central Sindical (UNTG-CS), citada pela imprensa local, denunciou que muitos funcionários continuam sem receber salários, enquanto o aumento dos preços de bens essenciais, como o arroz, que é a base alimentar da população, “tem reduzido drasticamente o poder de compra das famílias”.
O secretário-geral da central sindical, Júlio António Mendonça, criticou ainda a criação de novos impostos sem o correspondente aumento salarial.
A central sindical denunciou limitações ao exercício de direitos fundamentais, nomeadamente a liberdade de manifestação, reunião e expressão, concretizando que os trabalhadores estão impedidos de realizar actividades públicas como manifestações, conferências de imprensa e palestras.
A UNTG-CS reclama a fixação de um salário mínimo na Guiné-Bissau, país onde os trabalhadores recebem, em média, cerca de 60 mil francos CFA (o equivalente a cerca de 90 euros mensais), e onde um saco de arroz de 50 quilos custa cerca de 30 euros.
Os sindicatos reivindicam também o controlo de preços e a melhoria dos serviços públicos, incluindo saúde, educação e infra-estruturas. A central sindical deixou ainda um apelo à união dos trabalhadores como condição essencial para a defesa dos seus direitos, defendendo que a melhoria das condições de vida dependerá da mobilização colectiva e não exclusivamente da acção da classe política.

























































