Existe um país no centro da Europa com dois milhões de habitantes, que faz fronteira com a Itália, a Áustria, a Croácia e a Hungria, e tem uma natureza tão bem preservada que a organização internacional Green Destinations o declarou, em 2016, o primeiro país do mundo a receber o título de destino verde na sua totalidade — não uma região, não uma cidade, o país inteiro.
A Eslovénia obteve 96% dos critérios de sustentabilidade avaliados, uma pontuação que nenhum outro território alguma vez igualou. O National Geographic deu-lhe o World Legacy Destination Leadership Award. A Condé Nast Traveller colocou-a consecutivamente entre os destinos mais sustentáveis do mundo. E a maior parte das pessoas que voa para Veneza ou Viena passa a menos de duzentos quilómetros desta sem saber que existe.
Segundo o portal Sapo, a Eslovénia tem 61% do território coberto de floresta, o que faz do país o terceiro mais arborizado da Europa. Mais de um terço do território pertence a zonas protegidas da rede Natura 2000. Há um único parque nacional, o Triglav, nos Alpes Julianos, mas 40% do território total está classificado como área de protecção natural. Estes números são o resultado de uma cultura de relação com a natureza que precede qualquer certificação internacional e que se manifesta na forma como os eslovenos usam o território, nos trilhos que percorrem ao fim de semana, nas abelhas que criam nos telhados dos edifícios de Liubliana.
Liubliana, a capital da Eslovénia
A capital merece um capítulo à parte. Liubliana tem o centro histórico encerrado ao trânsito automóvel, o que, na prática, significa que a cidade funciona a pé e de bicicleta com uma naturalidade que as cidades que tentam replicar esse modelo a partir do zero raramente conseguem. O Rio Ljubljanica, que corta o centro, tem cafés nas margens e uma iluminação ao fim do dia que faz o turista parar e verificar se não está numa cenografia. Liubliana já foi distinguida como Capital Verde da Europa pela União Europeia e a primeira capital europeia a comprometer-se com uma política de zero desperdício.



O Lago Bled é o argumento fotográfico que nenhum filtro consegue exagerar. Uma ilha com uma pequena igreja no centro de um lago de montanha cercado pelos Alpes Julianos, com um castelo medieval na rocha acima da margem norte, a água a variar entre o verde-esmeralda e o azul profundo conforme a luz. É o tipo de paisagem que a primeira vez que se vê ao vivo parece demasiado perfeita para ser real, o que é a melhor coisa que se pode dizer de uma paisagem. A temperatura da água, aquecida por fontes termais naturais, permite nadar até ao Outono, o que é uma raridade a esta altitude.
Já o Lago Bohinj, a menos de meia hora de Bled dentro do Parque Nacional do Triglav, é o que os eslovenos visitam quando os turistas estão em Bled. É maior, mais calmo, menos fotografado e igualmente impossível de acreditar. O vale do rio Soča, no Oeste, tem água de cor turquesa que os geólogos atribuem à calcite em suspensão, e que os fotógrafos tentam capturar sem nunca conseguir completamente. O kayak, o rafting e a pesca são a indústria local, e os guias locais têm o orgulho tranquilo de quem sabe que tem uma das paisagens mais espectaculares da Europa sem precisar de o anunciar.
A gastronomia eslovena é o capítulo menos divulgado e um dos mais surpreendentes. O país tem a sua própria edição do Guia Michelin, seis estabelecimentos com o prémio de sustentabilidade da mesma publicação e uma cultura gastronómica que junta influências mediterrânicas, alpinas, bávaras e dos Balcãs, num cruzamento que não existe em mais nenhum sítio da Europa. Dizem que há uma vinha por cada 70 habitantes, o que é uma forma de perceber a densidade da tradição vinícola num país desta dimensão.



Fonte: Sapo



























































