A regra uptick – ou regra do aumento, em português – foi uma norma estabelecida pela Securities and Exchange Commission (SEC), uma agência federal que funciona como a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, em 1938, com o objectivo de impedir a manipulação de preços no mercado de acções.
A América assistiu, nove anos antes da criação da regra uptick, a um acontecimento chamado Grande Depressão – ou crise de 1929 –, uma das maiores crises económicas da história do país, com consequências profundas no mercado internacional e na economia global.
A crise teve origem na quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, onde milhares de investidores perderam o seu dinheiro. Seguiu-se uma recessão económica marcada por elevadas taxas de desemprego, queda do Produto Interno Bruto (PIB), diminuição da produção industrial e desvalorização generalizada das acções.
Perante este cenário, a SEC iniciou estudos para investigar se as operações de venda a descoberto poderiam ter contribuído para a quebra da Bolsa.
Enquanto os estudos decorriam, foi criada a regra uptick, que consistia, essencialmente, na proibição de vendas a descoberto durante períodos de queda do preço das acções.
Recorde-se que a descida de preços é precisamente o factor que gera lucro neste tipo de estratégia. Assim, entre 1938 e 2007, estas operações não podiam ser realizadas em momentos de queda contínua. Na prática, o investidor só podia efectuar a venda a descoberto se o último movimento do preço tivesse sido de subida ou, pelo menos, estável.
Os estudos realizados pela SEC não identificaram as vendas a descoberto como uma das causas da Grande Depressão. Por esse motivo, a regra uptick foi suspensa em 2007.
Ainda hoje, alguns especialistas norte-americanos defendem o regresso desta regra, argumentando que ajudava a evitar a manipulação dos preços das acções no mercado financeiro. Contudo, a SEC não tomou, até ao momento, uma posição definitiva sobre o assunto.
Fonte: Mais Retorno























































