A província de Niassa quer deixar de ser apenas reconhecida pelo seu potencial agrícola e afirmar-se como uma nova plataforma nacional de agro-processamento e exportação. Com cerca de oito milhões de hectares de terra arável fértil e produção crescente, a região aposta na organização económica para ganhar espaço nos mercados.
Segundo um comunicado recebido pelo DE, a ambição foi reafirmada esta terça-feira (28), durante o workshop “Acelerando as Exportações da Província de Niassa”, realizado no Bendiak Village, em Lichinga. A iniciativa, promovida pelo Conselho Executivo Provincial em parceria com a ExportaMoz, juntou Governo, sector privado, produtores e parceiros estratégicos.
A principal mensagem do encontro foi clara: o desafio de Niassa já não é o potencial, mas sim a organização económica. Com uma produção global prevista de 3,3 milhões de toneladas, a província pretende estruturar cadeias de valor que transformem produção dispersa em mercadoria competitiva, com padrão e acesso aos mercados.
Na abertura do evento, o director provincial da Indústria e Comércio de Niassa, Mauro Pius, afirmou que a província reúne condições ímpares para se destacar na economia nacional. Contudo, sublinhou que o desafio passa por converter o potencial produtivo em oportunidades concretas de industrialização, investimento e exportação.
Por sua vez, o CEO da ExportaMoz, Miguel Jóia, defendeu que Niassa tem todos os factores para liderar uma nova fronteira económica no País. “Niassa não precisa de mais diagnósticos. Precisa de execução. O potencial existe. Agora é necessário organizar, transformar e vender com padrão de mercado”, afirmou.
Ainda durante o workshop, a directora da Direcção Provincial da Agricultura e Pescas, Flávia Langa, destacou a robustez da base agrícola da província. Segundo os dados apresentados, Niassa possui cerca de oito milhões de hectares de terra arável, produção estimada em 3,3 milhões de toneladas e um efectivo pecuário expressivo.

Entre os produtos com maior potencial exportador estão milho, feijões, soja, mandioca, arroz, hortícolas, batata, madeira transformada, macadâmia, gergelim, mel e pescado lacustre. Estes recursos reforçam o posicionamento de Niassa como um dos principais celeiros agrícolas de Moçambique.
Os distritos de Lichinga, Cuamba e Chimbonila foram apresentados como estratégicos nesta nova arquitectura económica. Lichinga surge como centro logístico e de coordenação, Cuamba como plataforma ligada ao Corredor de Nacala e Chimbonila como área prioritária para armazenamento, secagem e transformação primária.
No encontro, o sector privado apresentou propostas para impulsionar a nova agenda económica. Seguradoras defenderam a expansão do seguro agrícola para reduzir riscos, enquanto foram destacadas iniciativas como a Zona de Processamento Agro-Industrial, o papel do algodão e soluções de mecanização e logística.
No encerramento do encontro, Mauro Pius reafirmou que a parceria com a ExportaMoz marca o início de um processo contínuo de trabalho. “Este workshop não é um ponto de chegada, mas sim o início de um processo contínuo de trabalho. O nosso compromisso é estruturar cadeias de valor, atrair investimento e garantir que Niassa se insere de forma competitiva nos mercados nacional e internacional”, afirmou.
























































