Segundo dados do Governo, as contas públicas de 2025 mostram que o Estado executou quase 90% da despesa prevista, mas com aumento da dívida e sinais de pressão sobre a sustentabilidade financeira.
De acordo com o relatório da Conta Geral do Estado, citado pela Lusa, as despesas atingiram 467 mil milhões de meticais, enquanto o ‘stock’ da dívida pública subiu para cerca de 14,6 mil milhões de euros.
Execução orçamental próxima do previsto
Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, o nível de execução das despesas fixou-se em 89,9% do total programado no Plano Económico e Social e Orçamento do Estado.
No mesmo período, as receitas arrecadadas ultrapassaram ligeiramente as despesas, chegado aos 468 mil milhões de meticais.
O Governo indica que os recursos internos financiaram a maior parte da despesa, com uma cobertura de 94,5%, enquanto os recursos externos ficaram abaixo do previsto.
Apesar deste desempenho, o volume total da despesa manteve-se elevado face às metas orçamentais definidas para o ano.
Dívida pública continua a crescer
O ‘stock’ da dívida pública registou um aumento de 4,5% face ao ano anterior, atingindo mais de um bilião de meticais.
O endividamento público interno continua a deteriorar-se, influenciando negativamente o funcionamento do mercado financeiro
Banco de Moçambique
O crescimento da dívida, sobretudo interna, tem sido apontado como um dos principais riscos para a estabilidade económica. “O endividamento público interno continua a deteriorar-se, influenciando negativamente o funcionamento do mercado financeiro”, alerta o banco central.
Dados recentes indicam que a dívida interna quase triplicou desde 2020, representando actualmente cerca de 30% do Produto Interno Bruto.
Sustentabilidade financeira sob pressão
O Governo reconhece que a sustentabilidade da dívida é um dos maiores desafios da economia nacional e defende uma gestão mais prudente. “É nossa obrigação garantir que cada metical emprestado seja aplicado de forma eficiente, produtiva e responsável”, afirmou a ministra das Finanças, Carla Loveira.
Neste contexto, o Executivo avançou com a contratação de uma consultora internacional para apoiar a reestruturação da dívida e a definição de uma nova estratégia de gestão para o período 2026-2029.
A medida visa assegurar a consolidação fiscal e reduzir riscos associados ao aumento do endividamento.
As autoridades defendem que o controlo da dívida será determinante para garantir estabilidade macroeconómica e sustentabilidade das finanças públicas nos próximos anos.



























































