O Zimbabué apresentou ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no sector agrícola para modernizar a produtividade e promover a inclusão digital nas zonas rurais. As novas funcionalidades permitirão aos agricultores planear a produção, detectar doenças nas culturas, prever padrões climáticos e aceder aos mercados.
Durante um evento que reuniu representantes governamentais, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, académicos e representantes do sector privado, foram apresentadas 80 microestações rurais, designadas “Rural Stars”, destinadas a reforçar a conectividade e o acesso a serviços digitais.
A empresa de telecomunicações e tecnologia Econet lançou também a plataforma móvel EcoFarmer AI, que utiliza Inteligência Artificial para apoiar agricultores com informações em tempo real. Ferramentas baseadas em chat estão igualmente disponíveis em telemóveis simples através da tecnologia USSD (Unstructured Supplementary Service Data).
De acordo com Taurai Bere, pró-vice-chanceler da Universidade de Tecnologia de Chinhoyi, a Inteligência Artificial já está a ser aplicada na monitorização de culturas, previsão meteorológica e apoio à tomada de decisões no campo. Entre as soluções em desenvolvimento destacam-se aplicações como Hurudza AI e Maminda AI, que auxiliam os agricultores na escolha do que plantar, como produzir e como identificar oportunidades de mercado.
As aplicações foram adaptadas a línguas locais, sob a designação “Mudhumeni Muhomwe”, com o objectivo de facilitar a compreensão de informações sobre o clima e a produção agrícola para a tomada de decisões mais informadas. Segundo Farai Mutyasera, director-geral de centros de dados e computação de IA da Econet, o país dispõe de mais de seis mil estações base, tendo sido instaladas 103 novas unidades em áreas rurais no último ano.
Especialistas indicam que as funcionalidades poderão ser utilizadas na vigilância de doenças, na monitorização de pragas e na prestação de serviços de aconselhamento agrícola de precisão. Estas soluções reforçam os serviços de extensão rural para aumentar a produtividade e melhorar a resiliência das comunidades face a choques climáticos e de mercado.
Modelos preditivos baseados em IA permitirão ainda a detecção antecipada de secas, stress hídrico e fenómenos meteorológicos extremos, possibilitando decisões mais atempadas sobre plantio, colheita e gestão de recursos, contribuindo para sistemas locais de alerta precoce e reduzindo os custos associados a intervenções tardias.
Fonte: The Herald

























































