A crise de combustíveis na cidade de Maputo, região Sul de Moçambique, está a impor sacrifícios diários a condutores, passageiros e transportadores, forçando muitos a deixarem os carros estacionados e a recorrerem ao transporte público como alternativa para manter a rotina diária.
A meio da tarde, Edmilson Mucavele aguardava numa das terminais de transporte público por mais um transporte, o segundo de três necessários para chegar a casa. Apesar de ter viatura própria, a crise de combustíveis que há quase duas semanas afecta o País obrigou-o a deixá-la parada em casa e adaptar-se a uma rotina feita de esperas e sucessivas ligações nos transportes públicos.
“Está a ser um bocado constrangedor. Deixei o meu carro em casa por falta de combustível”, admitiu à Lusa, mantendo o olhar atento aos transportes semicolectivos que, de tempos a tempos, entram e saem do terminal, à espera daquele que, menos cheio, o consiga levar até ao seu destino.
O dilema não afecta apenas os transportadores, uma vez que, nas paragens um pouco por toda a capital do País, centenas de pessoas aguardam pela sua vez de conseguir transporte para começar o dia, numa crise que revela impactos directos na mobilidade, na economia local e na rotina da população.
Nas últimas duas semanas, Edmilson conta que percorreu quase todas as gasolineiras do centro da capital à procura de combustível, mas, sem sucesso, acabou por abandonar a busca: “Agora estou mesmo à espera de ‘chapa’ [transporte semicolectivo] e, quando aparecem, vêm muito cheios”.
“Existem chapas que param no meio da viagem por falta de combustível e temos de fazer ligações. Está a criar um grande transtorno, não está a ser muito fácil”, lamentou.
O problema atinge igualmente Idélcio Castiano, que viu, há cerca de duas semanas, a sua habitual boleia do serviço ser substituída por uma luta diária com os transportes públicos, devido à falta de combustíveis.
“Nas últimas duas semanas, a solução tem sido recorrer ao transporte semicolectivo; não há outra alternativa”, conta, referindo-se com preocupação à escassez de viaturas, “sobretudo nas primeiras horas da manhã e ao final do dia”.

Segundo Idélcio Castiano, o cenário dos últimos dias nas paragens de transportes transformou-se num verdadeiro “caos”, marcado por atrasos frequentes na chegada aos destinos e por um peso acrescido no bolso, devido às sucessivas ligações que é obrigado a fazer.
Já Pedro Zimba limita-se a pedir providências “a quem é de direito”, para que os moçambicanos “não venham a sofrer”, numa altura em que, segundo afirma, deslocar-se tornou-se cada vez mais difícil, “primeiro porque as estradas estão intransitáveis”, uma situação que se agrava com a crise de combustíveis.
Por sua vez, Almiro Cumbana, condutor de transporte de passageiros na cidade da Matola, há 10 anos, admitiu estar muito difícil trabalhar devido à recorrente procura noturna ao combustível. “Ultimamente temos de trabalhar de dia e de noite irmos formar fila para podermos ter combustível”, lamentou, assinalando que a situação se estende por cerca de duas semanas.
Em comunicado, o Executivo procurou transmitir uma mensagem dupla: por um lado, assegura que o País continua a dispor de combustíveis; por outro, reconhece que a próxima reposição de preços deverá incorporar custos de importação mais elevados, associados a compras feitas num período de subida das cotações internacionais. Pelo meio, apela a uma mudança de comportamento por parte de cidadãos e empresas, defendendo o recurso a transportes públicos, a contenção no consumo e, sempre que possível, ao teletrabalho.
O Governo reconheceu na terça-feira, 14 de Abril, “pressão” sobre os postos de combustíveis localizados na cidade de Maputo, sul do País, que nos últimos dias têm registado filas enormes de automobilistas que querem abastecer, face a receios de ruptura de ‘stock’ e à subida de preços devido ao conflito no Médio Oriente.
“Trata-se de um fundo que tem vindo a ser utilizado à medida que ocorrem crises desta natureza, e nós já tivemos o conflito Rússia-Ucrânia que determinou que o nosso país fizesse uso das verbas em resultado do incremento bastante significativo do preço dos combustíveis. Neste momento, os recursos correm em torno de 5,2 milhões de euros”, declarou.



























































