A Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC, sigla em inglês) comunicou que a escassez de combustível está a afectar as operações de manuseamento de carga, resultando em atrasos na entrada e saída de camiões.
“Apesar do impacto ainda ser gradual, já começamos a sentir atrasos operacionais. Por exemplo, actualmente, estamos a descarregar um navio com cerca de 25 mil toneladas de arroz, o que exige um fluxo constante de camiões para recepção e expedição”, explicou o PCA da MPDC, Osório Lucas.
Citado pelo jornal O País, o responsável avançou que a escassez de combustível tem impedido a chegada atempada de alguns camiões, condicionando o ritmo de descarga, admitindo ainda possíveis efeitos a curto prazo na carga contentorizada, tendo em conta a dependência de rotas internacionais.
Osório Lucas afirmou igualmente que a crise dos combustíveis está também a afectar a eficiência operacional, ao prolongar o tempo de permanência dos navios no porto, um cenário que se traduz em custos adicionais, sobretudo ao nível do frete marítimo.
“Um navio pode custar entre 15 mil e 25 mil dólares por dia. Se uma operação passa de três para cinco dias, há custos adicionais. Além disso, o frete aumentou, passando de cerca de 20 para mais de 30 dólares por tonelada na carga a granel”, sustentou.
Contudo, apesar destes constrangimentos, Lucas descreveu que o porto de Maputo se mantém competitivo, com as linhas de navegação operacionais e os exportadores a continuarem a recorrer à infra-estrutura, ainda que enfrentando custos mais elevados.
“Há combustível no País, mas pode não estar a chegar aos postos de abastecimento. Em circunstâncias normais, os distribuidores de combustível utilizam garantias bancárias para pagar pelo combustível que encomendam nos portos. Contudo, alguns comunicaram não ter conseguido obter essas garantias junto dos bancos comerciais”, descreveu o Executivo.
“Trata-se de um fundo que tem vindo a ser utilizado à medida que ocorrem crises desta natureza, e nós já tivemos o conflito Rússia-Ucrânia que determinou que o nosso país fizesse uso das verbas em resultado do incremento bastante significativo do preço dos combustíveis. Neste momento, os recursos correm em torno de 5,2 milhões de euros”, declarou.
Os Estados Unidos da América e Israel lançaram, a 28 de Fevereiro, um ataque militar contra o Irão, tendo matado, durante a ofensiva, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. Em contrapartida, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas em países da região.
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializado por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.

























































