O 10.º secretário-geral das Nações Unidas será eleito ainda neste ano para um mandato de cinco anos, com início a 1 de Janeiro de 2027, sucedendo a António Guterres, que lidera a organização desde 2017 e cumpre actualmente o seu segundo mandato. Eis os principais candidatos já posicionados na corrida à liderança da ONU.
Rafael Grossi

Rafael Grossi, diplomata de carreira, argentino de 65 anos, tem sido um director-geral omnipresente e extremamente activo da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) nos últimos seis anos.
Embora a AIEA há muito supervisione o programa nuclear do Irão, Grossi liderou negociações destinadas a salvar partes de um acordo nuclear histórico entre Teerão e as grandes potências, após a decisão do Presidente Donald Trump de retirar os Estados Unidos da América (EUA) do acordo em 2018. Os seus críticos argumentam que foi longe demais na tentativa de alcançar entendimentos com o Irão.
Pai de oito filhos e poliglota — fala inglês, espanhol, francês e italiano —, Grossi aumentou a sua visibilidade e a da AIEA através da sua diplomacia activa em crises internacionais.
O seu maior sucesso foi conseguir a instalação de uma pequena equipa da Agência Internacional de Energia Atómica na central nuclear de Zaporizhzhia, ocupada pela Rússia na Ucrânia, após repetidas deslocações através da linha da frente na guerra entre Moscovo e Kiev.
Tem procurado projectar a imagem de um homem de acção numa corrida em que muitos diplomatas o consideram favorito, após anos a manter relações com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França — cujo apoio é crucial para o cargo.
“Estas experiências confirmaram uma convicção que mantenho profundamente: mesmo em tempos de divisão, as instituições multilaterais podem produzir impactos reais e positivos”, refere a sua declaração de visão.
Rebecca Grynspan

Rebecca Grynspan, de 70 anos, apresenta-se como uma multilateralista reformista que enfrentou barreiras de género e que sempre acreditou na ONU e no seu compromisso com a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos.
Antiga vice-presidente da Costa Rica e actual responsável pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), Grynspan afirmou ter suspendido funções até Setembro para evitar conflitos de interesse durante a campanha. Grossi, por seu lado, manteve-se em funções na AIEA enquanto faz campanha.
Filha de pais que fugiram da Europa após a Segunda Guerra Mundial, associa a sua visão do mundo às origens da ONU e ao seu papel na cooperação internacional e na prevenção de conflitos.
Se for eleita, será a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária-geral. Afirmou que, embora tenha tido de fazer concessões entre a vida familiar e o serviço público, o facto de ser a primeira mulher em vários cargos moldou a sua liderança.
“Não estou à espera de tratamento especial. Quero tratamento igual”, disse à Reuters.
Economista, descreve-se como uma “líder madura” que pretende liderar uma ONU mais ágil, baseada na colaboração, defendendo simultaneamente os seus valores fundamentais.
Michelle Bachelet

Michelle Bachelet, de 74 anos, foi presidente do Chile por duas vezes e antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, tendo também liderado a ONU Mulheres entre 2010 e 2013.
Em Março, o Chile retirou o seu apoio à candidatura de Bachelet após uma mudança política à direita no país, mas a candidata afirmou que continuará com o apoio do Brasil e do México.
O Governo do Presidente chileno José Antonio Kast considerou que a candidatura não reunia consenso interno e tinha fracas perspectivas internacionais.
Bachelet enfrentou críticas de sectores conservadores dos EUA pela sua posição favorável ao direito ao aborto e, em Abril, o enviado norte-americano à ONU, Mike Waltz, pareceu fragilizar a sua candidatura ao partilhar preocupações de um senador sobre a sua adequação ao cargo.
O senador republicano Pete Ricketts acusou-a de ter sido branda num relatório de 2022, ao não classificar como genocídio as acções da China contra os uigures, além de promover o aborto como um direito humano fundamental. Pequim ainda não declarou a sua posição sobre a candidatura.
Macky Sall

Macky Sall, que foi presidente do Senegal durante 12 anos até 2024, destaca a sua experiência como chefe de Estado como principal trunfo para o cargo.
O geólogo de 64 anos — filho de um vendedor de amendoim de uma região pobre do país — liderou importantes projectos de infra-estruturas durante o seu mandato e tem defendido o desenvolvimento africano.
Sall sublinha a necessidade de apoiar os países em desenvolvimento sobrecarregados pela dívida e propõe uma reforma do Conselho de Segurança, alinhando-se com as reivindicações de maior representação permanente por parte desses países.
“Mais do que nunca, um multilateralismo reinventado continua a ser a melhor forma de responder aos desafios de um mundo em profunda transformação”, afirmou.
Candidato nomeado pelo Burundi, Sall tem apoios mistos em África, com o seu país de origem e a Nigéria a não manifestarem apoio, segundo fontes diplomáticas citadas pela Reuters.
Se for escolhido, será o terceiro secretário-geral africano, depois de Boutros Boutros-Ghali e Kofi Annan.
Fonte: Reuters

























































