A Organização Mundial de Agricultores alertou para o risco de uma quebra significativa na produção global de alimentos já em 2027, caso o comércio de fertilizantes não seja restabelecido de forma estável, num contexto marcado pelas perturbações provocadas pelo conflito no Médio Oriente e pela escassez de alternativas no mercado.
De acordo com a Lusa, o presidente da organização, Arnold Puech d’Alissac, sublinhou que o impacto da actual crise tem sido “muito desigual” entre regiões, afectando de forma mais imediata os agricultores do hemisfério sul. Estes enfrentam maior pressão na aquisição de fertilizantes, essenciais para as campanhas agrícolas entre Agosto e Outubro, ao contrário dos produtores do hemisfério norte, que dispõem de um horizonte temporal mais alargado.
O responsável recordou que a maioria dos países depende da importação de fertilizantes nitrogenados, que estão associados a cerca de metade da produção alimentar mundial, o que amplifica os efeitos de qualquer disrupção nas cadeias de abastecimento.
Neste contexto, alertou que um eventual bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz — por onde circula até 30% do comércio mundial de fertilizantes — teria consequências directas no sector agrícola global, mesmo num cenário de trégua no conflito. “Se durante um ano se reduzir a disponibilidade de fertilizantes em 30%, a produção de grãos diminuirá 12,5%, podendo atingir os 15%”, afirmou.
Apesar deste cenário, Puech d’Alissac afastou, para já, riscos imediatos para a segurança alimentar mundial, justificando que os níveis actuais de reservas globais de grãos permanecem elevados, o que tem contribuído para manter os preços em níveis historicamente baixos.
Ainda assim, advertiu que a continuidade da crise poderá comprometer as decisões de produção nas próximas campanhas agrícolas. Os agricultores enfrentam um aumento dos custos associados não apenas aos fertilizantes, mas também ao gasóleo, factores que podem reduzir as margens de lucro ou mesmo gerar prejuízos.
Perante a escassez de fertilizantes, as alternativas disponíveis são limitadas. Entre elas, destaca-se o aumento da produção de leguminosas, como ervilhas e soja, culturas que exigem menor utilização destes insumos. Segundo o dirigente, países como Argentina e Brasil poderão reforçar a produção de soja, considerada menos arriscada e mais económica quando comparada com culturas como milho, trigo, cevada ou arroz.





















































