O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) está a investigar um empresário italiano e três alegados sócios por suspeitas de envolvimento em crimes de tráfico, branqueamento de capitais e falsificação de documentos, na sequência de uma operação de busca e apreensão realizada na sexta-feira (17).
De acordo com a Lusa, a acção, conduzida em coordenação com a Polícia da República de Moçambique (PRM) e com o acompanhamento da Procuradoria-Geral da República, abrangeu residências e escritórios do empresário Humberto Sartone, proprietário da hospedaria Kaya Kwanga, bem como imóveis pertencentes aos seus associados, identificados como Manzar Saed Abbas, Tarmomed Valai Mahomed e Anass Tarmomed.
Em conferência de imprensa, o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, esclareceu que a operação resulta de um trabalho prévio de inteligência criminal, no âmbito das estratégias de combate ao crime organizado e transnacional no País. Segundo o responsável, recaem “fortes indícios” de que os visados integram uma rede criminosa dedicada ao tráfico em diversas modalidades, ao branqueamento de capitais e à falsificação de documentos.
Apesar das suspeitas, Hilário Lole sublinhou que os indivíduos ainda não foram detidos, mantendo-se a presunção de inocência, uma vez que o processo se encontra em fase de instrução. As buscas foram autorizadas por mandados emitidos pelo juiz de instrução criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, assegurando o cumprimento dos trâmites legais.
Durante a operação, as autoridades apreenderam armas de fogo, munições, equipamentos informáticos, telemóveis e documentação diversa, materiais que serão submetidos a perícias forenses com vista ao reforço da prova. O SERNIC não exclui a realização de novas diligências nos próximos dias, podendo estas abranger outros suspeitos, incluindo funcionários públicos.
A operação ocorre numa semana marcada por acções intensivas contra o crime organizado, tendo resultado igualmente na detenção de três indivíduos alegadamente ligados ao Cartel de Sinaloa, na capital do País.
De acordo com o relatório “Africa Organized Crime Index 2025”, apresentado em Novembro no Quénia, Moçambique figura entre os países africanos com níveis elevados de criminalidade organizada e reduzida capacidade de resposta institucional. O País ocupa a oitava posição no continente, com uma pontuação de 6,63 numa escala de um a 10, registando um agravamento de 0,43 face a 2023.
























































