Quatro empresas públicas avançaram com a criação de uma nova sociedade destinada ao desenvolvimento de infra-estruturas para o fornecimento de gás natural, numa iniciativa que visa reforçar a segurança energética e dinamizar o mercado interno e regional, informou a Lusa.
A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), a Electricidade de Moçambique (EDM), os Portos e Caminhos‑de‑Ferro de Moçambique (CFM) e a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) assinaram um Acordo de Accionistas para a constituição dos Serviços de Logística Integrada de Gás Natural de Moçambique (SLIGM), bem como o respectivo Acordo de Desenvolvimento Conjunto, estabelecendo as bases para a implementação do projecto.
A iniciativa contempla a instalação de uma Unidade Flutuante de Armazenamento e Regaseificação (FSRU), que será ancorada no norte da província de Inhambane, complementada por infra‑estruturas associadas no Porto da Beira. O objectivo é viabilizar o transporte e aumentar o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) ao mercado doméstico e aos países da região.
Segundo um comunicado conjunto das quatro entidades, o projecto permitirá conjugar capacidades técnicas, financeiras e operacionais, conferindo‑lhes o direito exclusivo de financiar, construir, importar e operar o terminal de GNL, embora não tenham sido ainda divulgados os montantes de investimento envolvidos.
Além de contribuir para a diversificação das fontes de energia, os promotores defendem que a infra‑estrutura reduzirá a dependência de importações e potenciará a monetização do gás doméstico, nomeadamente o proveniente da bacia do Rovuma, bem como de outras bacias sedimentares existentes no território nacional.
A criação da SLIGM surge na sequência da aprovação, pelo Governo, de um decreto que atribui a concessão para a construção e operação de infra‑estruturas destinadas à recepção, armazenamento, regaseificação e transporte de gás natural no Porto da Beira e em Inhassoro.
Para os accionistas, o projecto representa um sinal de coordenação institucional em torno de uma iniciativa estruturante, com impacto directo no reforço da segurança energética e na diversificação da matriz energética do País. Acrescentam ainda que a exploração dos abundantes recursos naturais deverá gerar um efeito multiplicador na economia, contribuindo para a melhoria das condições de vida da população.
Moçambique dispõe actualmente de três megaprojectos aprovados para a exploração de gás natural liquefeito na bacia do Rovuma, uma das maiores reservas mundiais. Entre estes, destacam‑se os projectos liderados pela TotalEnergies e pela ExxonMobil, este último com capacidade estimada de 18 milhões de toneladas por ano e um investimento global de 30 mil milhões de dólares, ainda à espera de decisão final de investimento.
A estes soma‑se o projecto da italiana Eni, em produção desde 2022 através da plataforma flutuante Coral Sul, com cerca de sete milhões de toneladas anuais, prevendo‑se a duplicação da capacidade a partir de 2028 com a Coral Norte, num investimento avaliado em 7,2 mil milhões de dólares.

























































